Prémio Laranja Amarga para a falta de solidariedade europeia de Portugal
Realiza-se hoje em Huelva a XXXVI Cimeira Ibérica, mantendo a tradição de encontro, em regra anual, dos Governos das duas democracias ibéricas para tratar de questões de interesse comum. A nossa história tradicional era uma longa sequência de relações turbulentas com o reino vizinho que, desde os reis católicos, e oficialmente desde 1516, passou a ser conhecido como o Reino das Espanhas.
A relação ao longo dos séculos teve momentos particularmente difíceis, como a crise sucessória de 1383-85 e os 60 anos de União Real sob comando de Madrid entre 1580-1640. As múltiplas tentativas de consolidação de uma união ibérica por via matrimonial conduziram à consagração da expressão popular, “de Espanha nem bom vento nem bom casamento”.
Mesmo Salazar, apesar das afinidades de crenças e valores partilhadas com Franco, manteve sempre alguma desconfiança relativamente às tentações iberistas dos setores falangistas do franquismo. Por outro lado, quer para os opositores ao regime do Estado Novo, quer para as vagas de imigração dos anos 60 e 70, a Europa sonhada como refúgio, inspiração libertadora ou fuga à miséria começava só para lá dos Pirinéus.
Podemos dizer que só com a democracia descobrimos a Espanha, a pujança da sua cultura, a variedade da gastronomia, a monumentalidade das suas cidades e as suas múltiplas belezas naturais. Hoje, o vizinho ibérico é o nosso primeiro parceiro comercial sendo o destino de 26% das nossas exportações, a terceira maior origem de visitantes e a quinta de receitas........
