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Tiveram azar, marinhenses

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01.02.2026

Nascer e crescer na Marinha Grande não é fácil. É uma terra traumatizada por séculos de exploração. Motor de desenvolvimento industrial, cresceu em torno do vidro e foi sistematicamente esquecida. A Marinha Grande foi-se habituando a ser ignorada à medida que se foi instalando um rancor como pano de fundo para uma cidade que se foi degradando sem que ninguém mexesse uma palha.

Cresci numa casa colada ao pinhal. Tentei fazer várias casas de árvore, sempre sem sucesso, mas consegui descobrir pistas de bicicleta perfeitas entre os pinheiros e as silvas. A terra preta, solta, entrava-me pelas narinas quando jogava futebol e era tão difícil de sair como as nódoas de resina que resistiam a tudo menos ao Nodeti e à pedra-pomes.

A casa era paredes-meias com o pavilhão do Sporting Clube Marinhense, onde se jogava hóquei em patins e de quinze em quinze dias nos sentávamos e batíamos palmas até nos doerem as mãos.

A Marinha Grande era uma terra onde se andava de bicicleta não por qualquer tipo de consciência ecológica ou moda hipster, mas por necessidade. Alguns já tinham subido um degrau na vida, o que lhes permitia andar de mota e outros, menos, andavam no seu Renault 5.

Nos dias de praça, o centro da cidade, área pedonal, enchia-se de gente que ia à drogaria do Leonel, ao Bom Preço, à loja das rações ou ao próprio mercado. Em dia de festa, chegava-se a casa com as compras mas também com um frango da Pensão........

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