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O Brasil está bombando

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15.02.2026

Editor-executivo, foi antes secretário de Redação e editor de Opinião. É mestre em sociologia pela USP

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O Brasil está bombando

Em vez de nos aproximarmos dos países ricos, eles querem ficar mais parecidos conosco

Não querem importar imigrantes nem mercadorias, mas querem importar as nossas ideias atravessadas

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Deu errado. O Brasil deu errado. A hipótese alternativa é que nós é que estávamos com a expectativa errada sobre para onde a nação deveria caminhar. Deveria seguir na direção de converter-se num país próspero, aberto, solidário, republicano, governado pelas leis, não pelos homens?

Não foi para lá e não parece estar indo. O lado de lá é que se arrisca a estar vindo para cá. A revista Economist acaba de publicar um alerta aos países ricos. "Cuidado com a brasilização!" Não se lambuzem em gasto público a descoberto e em juro alto como faz aquela nação peculiar ao sul da América.

Cada vez menos peculiar, decerto, e não apenas no comportamento fiscal. Habitantes dos Estados Unidos podem agora desfrutar do experimento cepalino da substituição de importações. O presidente lhes ensina que devem pagar mais caro por bens importados hoje para terem mais indústrias amanhã. Vão descobrir, como nós, que pagarão mais caro, mas as indústrias mais competitivas não vão aparecer. Ideias de tabelar preços e taxas também começam a circular por lá.

Aqui e lá, barões dos negócios gastam parte de seu tempo e de seus recursos bajulando e financiando os poderosos. Perseguem a decretação de regras e o estabelecimento de relações que os protejam da concorrência e da polícia. A política pública está exposta a reviravoltas, a reboque da personalidade de turno que ocupa a posição de comando.

Mas convenhamos que o mundo rico ainda terá de comer muito feijão com arroz para atingir níveis brasileiros de patrimonialismo, até porque o Brasil não se acomodou à fama e continuou a aperfeiçoar-se no metiê nos últimos tempos.

Que outro gênio coletivo no planeta teria concebido, em pleno regime presidencialista, um portento como a execução obrigatória de cotas pessoais de emendas parlamentares que somam R$ 50 bilhões anuais? Ou a transformação dos partidos em cartórios oligárquicos abastecidos pelo Tesouro com R$ 5 bilhões em ano eleitoral? Não é nada trivial transformar partidos, que supostamente representam a sociedade, em órgãos que parasitam o erário.

Ainda não se encontra facilmente nos países desenvolvidos um Judiciário como o nosso. No Vale do Silício e na China, a disputa é para liderar a próxima etapa da corrida pela inteligência artificial. Aqui o esforço criativo não cessa de arrombar o teto remuneratório e outras normas fixadas para tentar disciplinar a extração de renda e poder de contribuintes e cidadãos.

Traduzir "saudade" em outras línguas é difícil. Traduzir "penduricalho" é impossível. Escritórios advocatícios de parentes de magistrados rendem feito unicórnio californiano. O percurso para ter sucesso em tribunais superiores fica mais pedregoso sem o acionamento das conexões certas.

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Nunca pegou por aqui essa ideia alienígena de o presidente se especializar em executar o Orçamento e a política pública, o legislador em legislar e fiscalizar o governo e o juiz em aplicar a lei. Todos dão um jeito de mandar, fazer e acontecer. Juiz vira delegado e reformador da ordem, deputado vira ministro e presidente gasta como se não houvesse limite.

É por isso que o Brasil está bombando. Tornou-se benchmark, objeto do desejo dos populismos que emergiram das catacumbas do norte abastado do globo. Não querem importar os imigrantes nem as mercadorias, mas querem importar as nossas práticas enraizadas, as nossas ideias atravessadas, a nossa expertise corporativista decantada em muitas décadas de ensimesmamento e de alheamento nacionalisteiro.

Brasilização é a utopia da hora. A convergência que se imaginava, dos mais pobres correndo mais rápido que os mais ricos para em breve todos gozarem das benesses materiais e espirituais da civilização, ocorrerá também se os ricos regredirem até nós. Afinal, a hipótese alternativa implica que os gringos é que estavam errados e foram além do que deveriam.

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