Disfarce suas bolas, campeão
Escritora e roteirista de cinema e televisão, autora de “Depois a Louca Sou Eu” e "A Boba da Corte"
Link externo, abre perfil de Tati Bernardi no Facebook
Link externo, abre página da Tati Bernardi no Twitter
Recurso exclusivo para assinantes
Disfarce suas bolas, campeão
A gente nunca sabe quando machos em cargos de poder vão nos submeter a boletas safadas
Sei como funciona mexer com jovens herdeiros e devo ser processada em breve
dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. benefício do assinante Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Já é assinante? Faça seu login ASSINE A FOLHA
benefício do assinante
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
benefício do assinante
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes assine ou faça login
Recurso exclusivo para assinantes
Um grande executivo da indústria do entretenimento tem muito a me dizer sobre o argumento encomendado que entreguei para um projeto de série televisiva. Ele gostaria de me encontrar pessoalmente, contudo sua vida virou uma extensa novela desde que passou a estudar os desafios do microdrama. Fora isso, vive no Reino Unido dando consultoria criativa para palestrantes e palestras para consultores criativos.
Então esse senhor me encaminha seus comentários por email, e lá estão elas: as malditas bolas. Minha vida agora é receber bolas nos mais variados horários, incluindo a vasta madrugada. A gente nunca sabe quando machos em cargos de poder vão nos submeter às suas boletas safadas e indolentes.
Ontem eu cheguei ao meu limite quando uma moça aparentemente bem-intencionada me enviou as tais bolinhas que escancaram uma realidade já prenunciada pelo conteúdo frio e indiferente que elas mesmas organizam.
Vocês não têm vergonha de expor seus epopeicos e preenchidos bullet points advindos do ChatGPT ao manifestar uma opinião profissional e pessoalíssima a respeito de um trabalho? Você é tão preguiçoso que nem disfarça que a inteligência artificial fez sua lição de casa e ainda manda o serviço porco para o colega com a marca evidente, juvenil e robótica das bolinhas? Detalhe: eu não me formei em humanas para passar por isso.
Senhores que arrotam Shakespeare no Instagram, Billy Wilder em almoços, Nora Ephron em pitches, Charlie Kaufman em jantares, Shonda Rhimes em apresentações, Kleber Mendonça Filho em áudios de WhatsApp. Esses mesmos, na hora de dar um mísero parecer a respeito do trabalho de um roteirista, o fazem da seguinte forma:
Você chegou no coração do filme
o ciúme velado é catalisador
teve avanço na disputa por validação paterna
Por conta de um novo projeto, encomendo uma pesquisa sobre como vivem hoje, em São Paulo, alguns netos de imigrantes italianos. A equipe está comigo no Zoom apresentando o resultado de um trabalho que me custou caro e demorou meses. E eu juro por Deus que o texto que eu recebo é uma surra de ChatGPT e suas infames bolinhas. Como podem não disfarçar nem as bolinhas!
Forte influência na culinária (massas, vinhos, polenta)
O soft power brasileiro é enriquecido através dessa diversidade
Mantêm sobrenomes italianos (Rossi, Bianchi, Ferrari etc.)
Pergunto se a apuração foi feita exclusivamente pela inteligência artificial e já sei o que me espera: a mãozinha no coração e a cara de ofendidíssimos. Visto o manto de "assediadora moral da geração Z" que eles mentalmente crochetaram para mim e dobro a aposta. Escolho o rapaz com piercing falso de septo e pergunto o que ele entende por soft power brasileiro. Ele olha ansioso para o rapaz com nostril e os dois respondem juntos: "É tipo K-pop".
Ícone Facebook Facebook
Ícone Whatsapp Whatsapp
Ícone de messenger Messenger
Ícone Linkedin Linkedin
Ícone de envelope E-mail
Ícone de linkCadeado representando um link Copiar link Ícone fechar
Reitero que é óbvio que tudo foi feito por ChatGPT, dá para ver pela linguagem, pelo estilo e pela maneira como eles próprios leem o que dizem ter escrito como se estivessem lendo pela primeira vez, junto comigo, por um motivo bem óbvio: eles estão lendo o material pela primeira vez, junto comigo. Um deles fica indignado e ameaça sair da reunião: "Eu não preciso passar por isso".
Triplico a aposta: afirmo que sim, ele precisa passar por isso. Ele cursou comunicação, letras, e, infelizmente, vai ter que escrever, falar, ler, e vai ter que passar por isso, sim. Sei como funciona mexer com jovens herdeiros e devo ser processada em breve por algum advogado amigo deles:
Metas impossíveis com intuito de pressionar
Espalhar boatos para prejudicar
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. benefício do assinante Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Já é assinante? Faça seu login ASSINE A FOLHA
benefício do assinante
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
benefício do assinante
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes assine ou faça login
Recurso exclusivo para assinantes
Leia tudo sobre o tema e siga:
inteligência artificial
kleber mendonça filho
sua assinatura pode valer ainda mais
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas (conheça aqui). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
sua assinatura vale muito
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Leia outros artigos desta coluna
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tatibernardi/2026/02/disfarce-suas-bolas-campeao.shtml
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
notícias da folha no seu email
notícias da folha no seu email
Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo, Elio Gaspari, Djamila Ribeiro, Tati Bernardi, Dora Kramer, Ruy Castro, Muniz Sodré, Txai Suruí, José Simão, Thiago Amparo, Antonio Prata e muito mais.
Meu ChatGPT virou coach motivacional
Meu ChatGPT virou coach motivacional
Não vá atrás dos seus sonhos
Não vá atrás dos seus sonhos
Pode transar, mas não pode se apaixonar
Pode transar, mas não pode se apaixonar
