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7 coisas que aprendemos sobre João Fonseca após duelos com Sinner e Alcaraz

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21.03.2026

7 coisas que aprendemos sobre João Fonseca após duelos com Sinner e Alcaraz

Se há algo inquestionável após o Sunshine Double (Indian Wells + Miami) é o fato de que João Fonseca sai muito mais consciente da distância do que o separa dos dois melhores tenistas do momento. Os duelos com Jannik Sinner (derrota por 7/6 e 7/6) e Carlos Alcaraz (revés por 6/4 e 6/4) deixaram evidentes as qualidades e os pontos vulneráveis do tênis do carioca de 19 anos. João e seu time puderam ver e entender melhor que aspectos de seu tênis funcionam melhor (ou não) diante do maior nível de exigência do circuito. Repassemos, então, alguns desses aspectos que ficaram mais claros:

1. Devoluções fizeram falta

Comecemos pelo mais delicado. Nos dois jogos, Fonseca não conseguiu pressionar consistentemente os serviços de Sinner e Alcaraz com suas devoluções. Sim, o brasileiro quebrou o italiano uma vez e teve chances de quebra contra o espanhol, mas as chances surgiram mais em games ruins dos rivais do que impulsionadas por bons retornos de João. Além disso, um par de erros de devoluções de segundo saque nesta sexta-feira prejudicaram bastante as chances de o carioca reagir contra o número 1. No geral, os dois líderes do ranking mostraram o quão importante é ter devoluções mais firmes, seguras, que pressionem um adversário consistentemente.

2. Riscos no segundo saque

O primeiro saque de Fonseca é ótimo. Abriu caminho para uma grande atuação diante de Sinner e, quando entrou bem nesta sexta, permitiu ao brasileiro agredir Alcaraz. João teve bons números em ambos jogos (embora tenha começado mal contra Carlitos). No entanto, seu segundo serviço foi pressionado constantemente. Talvez por isso tenha forçado e corrido riscos com o fundamento. Contra Alcaraz, seu segundo saque teve a altíssima média de 179 km/h até o quinto game (como comparação, o espanhol teve média de 164 km/h na partida). João arriscou. Pagou o preço com duplas faltas que custaram caro. Nesse nível, é preciso variar mais, ter mais profundidade, usar mais spin. Fácil de falar, difícil de fazer. Pode até soar como uma crítica injusta - dados os 19 anos - mas se o parâmetro é o combo Alcaraz+Sinner (como precisa ser!), esta é a comparação que deve ser feita.

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3. Backhand ainda sofre

Sinner tem um backhand fantástico e levou clara vantagem quando trocou esquerdas contra Fonseca. Alcaraz fez o mesmo. Quando os ralis ficaram ali, o espanhol frequentemente levou a melhor. E quando Fonseca optou por mudar de direção e arriscar paralelas, não só correu mais riscos como teve de lidar com a espetacular direita do espanhol. Logo, trata-se de um aspecto em que há uma certa distância a encurtar em relação aos dois líderes do ranking.

4. Movimentação pode evoluir

Não é um elemento que me preocupe tanto assim porque são poucos tenistas que se movimentam como Alcaraz, uma clara exceção, e Sinner não se mexia como hoje quando tinha 19 anos. Hoje, Fonseca está (pelo menos) um nível abaixo dos dois no quesito, mas o natural é que ele evolua nisso com o tempo (e o trabalho certo, claro). Em um ano, devemos ver um João muito superior nisto.

5. Consistência é próximo passo

Se havia dúvidas sobre o nível que Fonseca é capaz de apresentar, elas se foram após Indian Wells e Miami. O brasileiro pode competir com o top 10 em igualdade de condições. Mostrou tênis muito acima de seu ranking atual (#39). O próximo passo é mostrar que pode fazê-lo com mais frequência. Só assim dará o salto (que o mundo do tênis acredita ser possível) para se aproximar e, quem sabe, entrar no top 10.

6. Mentalidade de gente grande

As frases de João Fonseca nesta sexta foram animadoras. O brasileiro falou sobre o nível de ambos, pareceu ter entendido a distância a encurtar e disse que volta para o Brasil motivado a treinar o que lhe faltou nos dois jogos. Reconheceu que as devoluções lhe deixaram na mão. Declarações conscientes, dignas de um tenista que sabe reconhecer que há trabalho a ser feito (diferentemente de atletas cercados de súditos e puxa-sacos incapazes de fazerem críticas construtivas).

7. Fonseca é mesmo "um de um"

Antes de o torneio começar, James Blake, diretor do Miami Open, garantiu que João Fonseca só jogaria na quadra central em Miami e falou que o brasileiro era "um de um", ou seja, um caso único. Fonseca e Alcaraz juntos, então, foram um combo explosivo. Recorde de público em Miami, com 17.391 pessoas (números oficiais divulgados pelo torneio). Lembro de ter pensado no início do jogo algo do tipo "nunca vi ambiente assim no primeiro game de um jogo de segunda rodada". Em torneio algum. Foi, de fato, impressionante.

Coisas que eu acho que acho:

- O matchup (como o jogo de um tenista "casa" com o de um adversário) contra Alcaraz deve ser sempre mais complicado para João Fonseca do que contra Sinner. O espanhol, além de menos previsível, faz tudo (pelo menos) um pouco melhor do que o brasileiro. Contra o italiano, é mais simples (ou menos complicado) traçar um plano de jogo porque João sabe o que esperar. O difícil mesmo é executá-lo no altíssimo nível necessário. Além disso, o carioca consegue fazer mais diferença trocando direitas contra Sinner. Contra o forehand de Alcaraz, o problema é maior.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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