Show de ignorância: SBT não pode permitir machismo e transfobia de Ratinho
Show de ignorância: SBT não pode permitir machismo e transfobia de Ratinho
Nenhuma situação é tão ruim que não possa piorar. Enfrentando uma crise de audiência sem precedentes, o SBT agora se vê envolvido em uma polêmica desnecessária graças ao apresentador Ratinho que na noite de ontem achou de bom tom tecer comentários transfóbicos e machistas sobre o que é ser mulher.
Ao comentar a escolha da deputada Erika Hilton para presidir a Comissão da Mulher na Câmara, Ratinho disparou uma metralhadora de preconceitos: "Ela não é mulher, ela é trans. Eu não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres, mulher mesmo... Mulher para ser mulher tem que ser mulher, gente. Eu até respeito, respeito todo mundo que tem comportamento diferente, está tudo certo. Agora, para ser mulher, tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Vocês pensam que a dor do parto é fácil?"
Ratinho não parou por aí. Ele complementou o show de ignorância e desrespeito da seguinte forma: "Para quem não sabe, a deputada Erika Hilton é trans, mas será que ela entende dos problemas e desafios de uma pessoa que nasceu mulher? Não é fácil ser mulher. Imagine se uma mulher trans fosse defender as pautas relacionadas ao público masculino? Estaria certo? Também não. Está certo, vamos nos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar."
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Ao definir uma mulher como alguém que tem útero, menstrua e sente a dor do parto, Ratinho reduz as mulheres ao aparelho reprodutivo e a maternidade, e explicita o machismo e a transfobia de sua visão de mundo. Discursos como o do apresentador do SBT não podem ser vistos como mera opinião. Essas falas, quando saem da boca de uma figura pública que influencia centenas de milhares de pessoas, legitimam comportamentos discriminatórios e violentos.
É importante lembrar que, segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais, a expectativa de vida de mulheres trans no Brasil é 35 anos. Em vez de se indignar com Érika Hilton como presidente da Comissão da Mulher, Ratinho deveria se preocupar com a violência que faz com esse segmento da população morra tão precocemente.
É inadmissível que um comunicador de uma TV aberta, que é uma concessão pública, tenha espaço para disseminar tanto preconceito em um momento em que a sociedade civil e o poder público promovem iniciativas para aumentar a inclusão e a diversidade. Cabe à direção do SBT não apenas se retratar como também punir com severidade atitudes anacrônicas e preconceituosas como a de Ratinho para que isso não se repita e prejudique ainda mais a imagem da emissora, que tenta a todo custo ter a relevância do passado.
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