menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Jornalista pode e deve ter time do coração. Certo, Armando Nogueira?

14 0
29.03.2026

Jornalista pode e deve ter time do coração. Certo, Armando Nogueira?

"Ah, Milton Neves, mas você só escreveu isso por ser santista...".

Canso de ler comentários deste tipo neste espaço.

E, quando isso acontece, logo me lembro da Copa de 90, na Itália, quando tive a oportunidade de entrevistar e aprender com o mestre Armando Nogueira no lobby do Hotel Polo, em Roma.

Ricardo KotschoTrump, Neymar, Master e guerra: notícias enguiçadas

Trump, Neymar, Master e guerra: notícias enguiçadas

SakamotoFlávio copia Trump e quer mídia como paga-lanche

Flávio copia Trump e quer mídia como paga-lanche

Michelle PrazeresComo as plataformas sequestraram nosso tempo

Como as plataformas sequestraram nosso tempo

Tony MarlonEntre 'Brasa' e rua, seleção vai se distanciando do povo

Entre 'Brasa' e rua, seleção vai se distanciando do povo

À época, o histórico diretor de jornalismo da Rádio Jovem Pan I AM, o também saudoso Fernando Luiz Vieira de Mello, provocou no ar grande polêmica.

Bancava ele que jornalista esportivo nunca poderia ter time ou seleção.

"Pátria de chuteiras é para torcedor e não para jornalista", bradava.

Aí fui ouvir Armando Nogueira, então comentarista da Rádio Tupi do Rio, no comando de Doalcey Bueno de Camargo.

Ele se abrigou lá após sua polêmica edição do debate Lula x Collor no Jornal Nacional.

"Mestre Armando, jornalista esportivo pode ter time e torcer pela seleção?", perguntei, gravando.

"Não apenas pode, como deve. Jornalista esportivo que não tem time e não torce por sua seleção tem que mudar de profissão e virar setorista de ensaio de ópera", sentenciou.

Para medo e desespero do narrador Nilson César ("Não faça isso, não ponha no ar, o Fernando vai nos demitir mandando a gente de volta"), coloquei a gravação "ao vivo" no "Jornal da Manhã" ao ser chamado pelo âncora Joseval Peixoto, só apertando o botão do play do gravadorzão que tinha.

Segundos depois, o mestre Fernando ligou para nosso QG de Grotta Rossa em Roma e disse: "Parabéns, mineiro, gostei do contraditório".

Nilson César, sem saber o que falava Fernando, só gritava, aterrorizado do lado: "Não falei, não falei? Estamos ferrados!".

Não fomos e não estivemos ferrados, mas elogiados.

E, nessa história, respeito muito a opinião do saudoso Fernando Luiz Vieira de Mello, meu maior professor em todos esses anos de carreira no jornalismo, mas concordo com o também mestre Armando Nogueira, que nos deixava há exatos 16 anos, no dia 29 de março de 2010.

Então, moçada da "crônica especializada", vamos torcer - e muito - por nossa seleção e para um time qualquer.

De preferência, para o meu Corinthians.

E abaixo veja muitas fotos da vida do mestre Armando Nogueira:

Acima, veja o time formado pelos jornalistas brasileiros na Copa do México, em 1970. Em pé: Antônio "Tim" Teixeira, Hideki Takizawa, Januário de Oliveira, José Trajano, Vital Battaglia e Juarez Soares. Agachados: Ademir de Menezes, Armando Nogueira, Guilherme Cunha, Dácio de Almeida e Sérgio Leitão

Este foi o hotel em que várias equipes de rádio e tevê se hospedaram na Copa de 90. No lobby do Hotel Polo, em Roma, Milton Neves entrevistou o genial Armando Nogueira, que lhe disse que jornalista esportivo não só pode como deve ter um time de futebol de coração e torcer pela Seleção Brasileira. "Jornalista que não torce por seu time está em profissão errada. Deveria ser setorista de ensaio de ópera", avaliou Armando

Da esquerda para a direita: Zagallo, Armando Nogueira, Garrincha, o fotógrafo João Piedade (de Três Pontas-MG, pai de Fábio Zambeli, fiel internauta de Milton Neves) e Didi. Em 1958, os cariocas foram ao sul de Minas, jogaram contra a Machadense e venceram a partida por 7 a 1. Emocionaram o barranco lotado do pequeno estádio de Machado-MG, as pernas finas e as meias enroladas de Zagallo, a camisa desbotada e as pernas tortas de Mané, o gramado pífio, o esparadrapo no joelho de Didi e os dois famosos jornalistas, tão jovens com suas máquinas fotográficas a tiracolo

Armando Nogueira (à direita) foi padrinho de formatura da turma de Comunicação Social da PUC-RS, em 1975. O estudante na foto é o jornalista Lino Tavares.

Armando Nogueira é homenageado pelo Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho e pelo Ministro das Telecomunicações, Hélio Costa, em 2009.

O saudoso Armando Nogueira, já debilitado, na sala de imprensa do Maracanã.

O Rei Pelé e o mestre Armando Nogueira, no museu do futebol, São Paulo. Dois gênios em suas respectivas áreas.

Na sala de imprensa Armando Nogueira, em General Severiano, o narrador José Carlos Araújo, o Garotinho, ao lado do mestre.

Da esquerda para a direita: Armando Nogueira, Milton Neves e Carlos Melles.

Da esquerda para a direita: Renan, Lars Grael, Armando Nogueira, Esperidião Amin, Milton Neves, Carlos Melles, o nadador Fernando Scherer (o Xuxa) e o representante do então prefeito de Joinville, Luiz Henrique da Silveira, que depois seria governador do estado de Santa Catarina.

Armando e Milton (dir) atentos aos homenageados da noite.

Armando Nogueira, Milton Neves e o Deputado Carlos Melles (então Ministro dos Esportes), em 2000, no troféu "O Jornaleiro", em Joinville (SC). Abaixo, mais fotos do poeta Armando Nogueira no evento.

Armando Nogueira e Milton Neves, em 2000, na linda Joinville. Atrás, o excelente Lars Grael.

Em 1997, então no SporTV, Renata Cordeiro conversa com Armando Nogueira. Foto: arquivo pessoal de Renata Cordeiro

Armando Nogueira e Milton Neves durante o programa Cartão Verde da TV Cultura em 1995, Flavio Prado apresentou o programa que ainda contou com a participação de José Trajano. Foto: Reprodução

Em 1992, na abertura dos Jogos Olímpicos de Barcelona: Luciano do Valle, Alvaro José e Armando Nogueira. Foto: Reprodução Instagram/Alvaro José

Armando Nogueira e Kitty Balieiro durante a Copa da Itália, em 1990. Foto: Reprodução

Renata Cordeiro e Armando Nogueira na década de 90. Foto: arquivo pessoal de Renata Cordeiro

Em 2009, cerca de um ano antes de sua morte. Foto: Divulgação

Em uma mesa redonda para falar de Olimpíadas, grandes jornalistas se reuniram: da esquerda para a direita, Edvar Simões, Paulo Russo, Armando Nogueira, Luciano do Valle, Silvio Luiz e Rui Viotti

Da esquerda para a direita, Carlos Roberto Kirmayr, Luciano do Valle e Armando Nogueira

Estúdio da Rede Bandeirantes, na Copa do Mundo de 1994, em Dallas. Programa Apito Final. Da esquerda para a direita, Armando Nogueira, Júlio Mazzei, Mário Sérgio, Luciano do Valle, Rivellino, Tostão e Silvio Luiz. Foto enviada por Tatá Muniz

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.

Entre o 'Brasa' e a rua, seleção vai ficando mais longe do povo

O melhor de dois mundos: uma casa de campo em plena metrópole; veja

Algoritmo, algoz do ritmo: como as plataformas sequestraram nosso tempo

Disputa por terra opõe indígenas e ocupantes de paraíso turístico da PB

Airbus vê chance de A350 voltar a voar no Brasil e na América Latina


© UOL