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Seleção feminina do Irã expõe os dilemas de ser mulher num mundo em guerra

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13.03.2026

Seleção feminina do Irã expõe os dilemas de ser mulher num mundo em guerra

Sete jogadoras da seleção de futebol feminina do Irã, que viajou para jogar a Copa Asiática na Austrália, pediram para não retornarem ao Irã e receberam de imediato vistos humanitários do governo australiano para permanecerem no país. O restante do time voltou para casa.

O episódio precisa ser analisado com cuidado.

A teocracia iraniana, agredida militarmente por Israel e Estados Unidos, faz uso de violentas tecnologias de repressão a mulheres e imagino que a decisão de voltar para casa seja para essas jogadoras uma das mais difíceis de suas vidas. Ainda assim, a maior parte da delegação optou por retornar a um país que, além de maltratar meninas e mulheres, está em guerra contra dois dos exércitos mais poderosos do planeta.

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O que o ataque estadunidense-israelense fez de mais concreto até aqui foi articular um nível de nacionalismo que parecia estar abalado no Irã. Quando mulheres decidem voltar a um país extremamente violento contra elas é porque existem outras coisas envolvidas na cidadania. Essas mesmas mulheres estavam, há algumas semanas, nas ruas protestando contra o regime iraniano, exigindo mudanças e vendo o seu próprio governo atirar contra os manifestantes, matando centenas. São elas que agora, de forma voluntária, decidem retornar para o mundo dos maníacos Aiatolás.

Nesse momento, não voltar talvez fosse a alternativa mais fácil, ainda que envolva deixar vínculos para trás. Voltar certamente envolve mais complexidades. Uma delas é a de escolher não apoiar o imperialismo sanguinário dos Estados Unidos.

Teerã e Beirute, no Líbano, estão sendo bombardeadas pelas forças de Trump e de Netanyahu, e milhares de inocentes estão morrendo. O ato inaugural dessa guerra foi o assassinato de 168 meninas entre sete e 12 anos e de 14 professoras, atingidas por mísseis Tomahawk dentro de uma escola primária.

Só os Estados Unidos e alguns aliados na Europa têm os mísseis Tomahawk que foram jogados sobre a escola e, por mais que Trump continue covardemente negando a autoria do massacre, já é sabido que foram os Estados Unidos que cometeram esse ato inominável.

Ser mulher é ter que lidar com esses dilemas: voltar para um país que as reprime violentamente e honrar suas raízes na luta contra o imperialismo, ou usar a rota de fuga que foi apresentada?

"Qualquer regime que precise ser derrubado, incluindo o dos Estados Unidos, de Israel ou [do Irã], deve ser derrubado por sua população e não por [uma nação] mentirosa, gananciosa, bélica e imperialista ou por seus aliados que estão tentando colocar o mundo inteiro em posição de sujeição", disse a escritora indiana Arundhati Roy essa semana durante evento de lançamento de seu novo livro. A escolha de voltar para casa, nesse cenário, é uma escolha audaciosa, corajosa e patriota. Lutar contra o imperialismo e, na sequência, lutar pelo fim das repressões contra elas mesmas.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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