Trump parece mais afeito a 'solução Delcy' do que à troca de regime no Irã
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Em que pesem as declarações de Donald Trump sobre mudança de regime no Irã, é improvável que bombardeios aéreos sejam suficientes para derrubar a República Islâmica, que já se reorganizou sob a liderança do aiatolá Alireza Arafi.
Se quisesse realmente ir em frente, Trump precisaria estar disposto a enviar milhares de soldados para uma invasão por terra que poderia levar meses até a rendição da capital iraniana Teerã. Teria ainda de bancar a alta probabilidade de que o Irã descambasse para o colapso e o caos.
É o que avaliam especialistas em segurança e diplomacia nos EUA.
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"Não vejo um cenário em que os EUA se envolvam em uma invasão terrestre no Irã nos moldes da Guerra do Iraque de 2003", afirmou ao UOL Javed Ali, ex-integrante do National Security Council (NSC) da Casa Branca na primeira gestão Trump e professor da Universidade de Michigan.
"Não há base legal atual para isso, além do que levaria meses para que o deslocamento das tropas e os preparativos logísticos associados a isso ocorressem", acrescentou Ali, que é especialista em assuntos do Oriente Médio.
Ontem (2), em breve entrevista ao New York Post, Trump não descartou a possibilidade de mandar soldados ao Irã. A possibilidade, porém, é extremamente impopular com sua base eleitoral e Trump se elegeu prometendo não colocar os EUA em guerras.
"Não me acovardo em relação às tropas no terreno, como todos estes presidentes que dizem 'não haverá tropas no terreno'. Eu não digo isso. Eu digo 'provavelmente não precisamos delas', [mas] 'se for necessário'", afirmou Trump.
O republicano, porém, tem repetido que pretende destruir as forças armadas da República Islâmica para que, então, "os iranianos tomem o governo". Ele tem conclamado a população civil —e desarmada— a fazê-lo.
"Essa é uma das apostas de Trump: a de que os iranianos atenderão ao seu apelo para remover um regime que muitos deles há muito tempo desejam ver fora do poder", afirma Ali.
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"Dada a ferocidade da resposta do regime aos protestos de janeiro, que resultaram na morte de milhares de iranianos, estarão os iranianos dispostos a enfrentar as forças de segurança interna do Irã e expulsar do poder o que resta do regime?"
Em janeiro, o então governo de Ali Khamenei bloqueou a internet do país por vários dias e sufocou protestos populares.
Esta é também a opinião de Richard Fontaine, diretor executivo do Centro para uma Nova Segurança Americana (CNAS) e ex-integrante do Conselho de Segurança Nacional (NSC) sob George W. Bush.
"A mudança de regime por meio do poder aéreo é extremamente difícil. Trump convocou os manifestantes a se levantarem, mas a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e a (milícia paramilitar) Basij continuarão com as armas e o povo continuará sem condição de mobilização. As forças de segurança precisarão se fragmentar ou se dissolver para que ocorra uma verdadeira transformação política", afirmou Fontaine, em um post na rede social X no último dia 28.
Tanto Fontaine quanto Ali não veem Trump se movendo domesticamente para convencer a população dos EUA sobre a necessidade da guerra ao Irã —e do possível envio dos filhos de seus eleitores para lutar no Oriente Médio mais uma vez.
Uma pesquisa da CNN divulgada ontem mostrou que 59% dos americanos desaprovam a investida de Trump no Irã.
"Estamos testemunhando a anti-Doutrina Powell em ação. Nenhuma tentativa de construir um consenso nacional em torno da guerra, nenhuma força terrestre para atingir uma força esmagadora, nenhum objetivo claro", disse Fontaine, em uma referência a Colin Powell e suas premissas desenvolvidas após a Guerra do Golfo (1990-1991).
Inicialmente, Powell defendia que intervenções militares no Oriente Médio deveriam ser resultado do esgotamento diplomático, e incluir força massiva, rápida e amplamente apoiada pela população americana.
O próprio Powell, porém, contrariou sua doutrina ao defender a Guerra do Iraque, em 2003, com base em informações falsas de que o então governo iraquiano de Saddam Hussein detinha armas de destruição em massa.
Com isso, ele lançou o país a uma guerra que durou 8 anos —e que sedimentou no imaginário da população dos EUA uma aversão a esse tipo de empreitada.
Para Ali, os ataques de sábado são o resultado de uma série de fatores, mas seu timing está diretamente ligado ao que chamou de "oportunidade de atingir o alvo". Até por isso, é provável que o próprio Trump não tivesse clareza dias antes de que a guerra se iniciaria a uma da manhã do sábado no horário de Washington.
"A tensão vinha se acumulando há meses no âmbito militar, somada à aparente falta de progresso nas negociações diplomáticas", diz Ali, referindo-se a rodadas de conversas em Viena, nas quais o Irã não concordou em abandonar qualquer tipo de enriquecimento de urânio, mesmo para usos não bélicos, e a discutir seu desenvolvimento de mísseis balísticos de longo alcance.
"Outro fator foi a inexplicável decisão do governo do Irã de realizar uma reunião pública, à luz do dia, com o Líder Supremo (Ali Khamenei) e o Conselho de Segurança Nacional do Irã, na manhã de sábado, em Teerã", nota Ali, sobre as condições relativamente fáceis enfrentadas pelas forças americanas e israelenses para eliminar Khamenei, que não estava em um esconderijo subterrâneo.
Dado o modo como o conflito se iniciou, Ali e Fontaine notam que Trump se mostra também pouco definitivo sobre como o conflito deve se desenrolar e terminar.
O próprio presidente já se contradisse sobre quantas semanas ele antevia de duração da guerra —ontem, o republicano citou entre quatro e cinco semanas.
"Trump preservou a flexibilidade para se adaptar conforme o desenrolar dos acontecimentos. Ele poderia parar em alguns dias e dizer que a ameaça nuclear e de mísseis foi neutralizada e que agora a responsabilidade está nas mãos do povo iraniano. Ou poderia continuar por semanas, visando uma mudança decisiva de regime", diz Fontaine.
Para Ali, "se houver mais mortes de americanos ou mais ataques nos países do Golfo, isso vai alterar o cálculo para a Casa Branca". Os EUA contabilizam 6 baixas no conflito desde sábado.
Mas, segundo Ali, a busca por uma mudança real de regime por Trump ainda parece pouco substantiva. "Parece provável que Trump possa estar mais interessado em um acordo do que na remoção completa da República Islâmica do poder".
Seria um cenário semelhante, de acordo com o especialista, ao que aconteceu na Venezuela. Em 3 de janeiro, Trump lançou uma operação militar em Caracas e retirou do poder o líder venezuelano Nicolás Maduro, mas não provocou uma mudança de regime.
Na verdade, os EUA passaram a trabalhar em estreita cooperação com a até então vice-presidente do país, Delcy Rodríguez, que se tornou a presidente do país.
No início da semana passada, no discurso do State of the Union, Trump chamou a Venezuela, ainda sob comando chavista, de "nova amiga e parceira" e citou os milhões de barris de petróleo repassados aos americanos por Caracas.
"Trump disse, no fim de semana, que já houve conversas entre os dois lados (Irã e EUA)."
Os termos do que a nova República Islâmica precisaria entregar, porém, não estão completamente claros. Mas certamente passam por desmilitarização e fim de qualquer programa nuclear.
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