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Conheça modelos de negócio que disputam mercado de psicodélicos

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19.02.2026

Marcelo Leite relata novidades da fronteira da pesquisa em saúde mental

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Conheça modelos de negócio que disputam mercado de psicodélicos

Cybin e Compass apresentam resultados encorajadores para tratar depressão

Estratégia comercial minimiza papel emancipador da psicoterapia no processo

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As empresas Cybin/Helus, do Canadá, e Compass Pathways, do Reino Unido, publicaram dados animadores sobre psicodélicos para depressão. A primeira aposta na brevidade da experiência com DMT, psicoativo da ayahuasca, a outra em sessões longas com psilocibina de cogumelos –ambas com formulações sintéticas patenteadas, respectivamente SPL026 e COMP360, e não produtos naturais.

Da Cybin saiu segunda-feira (16) na Nature Medicine um artigo sobre a infusão por dez minutos de 21,5 mg de N,N-dimetiltriptamina (DMT) para depressão moderada a grave. O teste clínico de fase 2 com placebo, em parceria com o Imperial College de Londres, teve 34 participantes e indicou, após duas semanas, redução de sete pontos na escala MADRS de gravidade da depressão.

Esse método de aplicação lenta da DMT induz uma experiência psicodélica de 20 a 30 minutos. Tem semelhança com a vaporização testada no Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICe-UFRN) pela equipe de Dráulio de Araújo, que produz "viagem" de dez minutos e teve citação na Nature Medicine.

O estudo "é muito relevante porque traz evidência placebo-controlada de que uma única administração de DMT, associada a suporte psicológico, pode produzir efeitos antidepressivos rápidos e clinicamente relevantes em pacientes com depressão maior", comenta Araújo.

Ele destaca uma diferença: "Utilizamos [no ICe] DMT vaporizada, uma abordagem não invasiva que apresenta vantagens importantes em termos de simplicidade do procedimento, conforto do paciente e potencial de acessibilidade clínica".

A Compass está mais avançada que a Cybin na regulamentação de um psicodélico para depressão. Testou 25 mg de psilocibina por via oral, cujo efeito agudo dura seis horas, com portadores da modalidade refratária do transtorno, que não respondem ao tratamento com pelo menos dois antidepressivos. O controle se deu pela comparação com 1 mg de psilocibina (placebo ativo).

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Num webcast de terça-feira (17), a firma apresentou novos dados de dois ensaios clínicos de fase 3 com psilocibina que totalizaram mais de 800 pacientes. E anunciou que, obtendo aprovação da FDA, agência de fármacos dos EUA, estará pronta para comercializar COMP360 no final do ano. Suas ações subiram 30 % de imediato.

No maior dos estudos, com 581 pacientes dos EUA, Canadá e Europa, a empresa obteve redução de 3,8 pontos na escala MADRS após seis semanas. No estudo menor realizado só nos EUA, os pacientes que tiveram resposta clínica significativa a sustentaram por até 26 semanas.

Tais ensaios clínicos oferecem algum tipo de apoio psicológico para participantes, mas não psicoterapia assistida por psicodélicos (PAP) em sentido estrito. Neste caso, a ênfase recai menos em psicodélicos e mais em psicoterapia, processo prolongado em que o paciente processa emoções, memórias e lampejos induzidos pela substância.

O foco na brevidade em geral implica certo descaso com a psicoterapia e algum reducionismo farmacológico, ao modo de antidepressivos de uso contínuo. O modelo de negócios tem em vista o sucesso do Spravato, antigo anestésico dissociativo (cetamina) que a Janssen patenteou em formulação inalável.

O infusor nasal exige supervisão de profissional de saúde por duas horas e rende à Janssen uns US$ 2 bilhões anuais como único medicamento aprovado para depressão refratária. São duas aplicações semanais, por várias semanas, e cada dose pode custar no Brasil R$ 2.000.

É o oposto do uso psicoterapêutico que se fazia de MDMA e LSD antes da proibição nos anos 1970-80. Sai de cena a elaboração subjetiva para superar traumas, compulsões e fobias, entra a crença em panaceias químicas.

Um dos muitos críticos dessa estratégia de mercado é Joost Breeksema, da Fundação Open, que organiza a Conferência Interdisciplinar de Pesquisa Psicodélica (ICPR) a realizar-se em junho. Em entrevista ao boletim Psychedelic Alpha, ele destaca o impacto da viagem psicodélica.

"Se você está impondo uma experiência potencialmente muito profunda às pessoas, não fornecer o apoio necessário para ajudá-las a lidar com isso é irresponsável e antiético."

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