O mistério de Malta e a negativa da Fifa
Luís Curro fala sobre as seleções, clubes, competições e jogadores do esporte mais popular do planeta
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O mistério de Malta e a negativa da Fifa
Federação divulga levantamento sobre transferências de jogadores e, quando interpelada, recusa-se a detalhar
Arquipélago europeu está no top 5 de transações de futebolistas para o Brasil, e não se sabe quem são eles
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A Fifa divulgou comunicado com um balanço das negociações de futebolistas na janela de janeiro. Relatou que houve "mais de 5.900 transferências" e "mais de US$ 1,9 bilhão gasto pelos clubes no futebol profissional masculino".
Quando recebo esse tipo de conteúdo, meu primeiro ato é saber sobre o Brasil. Que figurou no topo de contratações, com 456 (7,6%) do total de 5.973, seguido por Espanha, Argentina, Inglaterra e Portugal.
Chamou-me a atenção o arquipélago de Malta na quinta colocação entre os países que mais enviaram jogadores ao Brasil. Foram 18, atrás de Portugal (42), Japão (27), Uruguai (25) e Colômbia (19).
Conceituada no turismo, possuidora que é de monumentos históricos e de belezas naturais, e palco de gravações cinematográficas (oferece infraestrutura e cenário atrativo), Malta é uma nulidade no futebol.
País europeu minúsculo, com área de 316 km² (menos que a de Belo Horizonte) e população de 569 mil habitantes (menor que a de Florianópolis), a ex-colônia britânica nunca esteve perto de ir a uma Copa do Mundo. A seleção ocupa a 161ª colocação no ranking da Fifa (de um total de 211 nações), logo atrás da africana Essuatíni (antiga Suazilândia) e de Vanuatu, na Oceania.
Seus clubes jamais estiveram na fase de grupos (atualmente grupo) da Champions League, e sua liga de futebol é fraquíssima. Você sabe o nome de algum dos 12 times da primeira divisão? Eis os três que são papa-títulos no Maltão: Floriana, Sliema Wanderers e Valletta.
O mistério é este: por que Malta aparece como grande exportador de pé de obra para o Brasil? Não sei. Perguntei à Fifa, continuei não sabendo. Pedi também nomes dos atletas (que não são malteses, seguramente), tive o pleito recusado.
Só soube da federação que todas as 18 transferências foram de jogadores com contrato finalizado e que na janela do janeiro anterior (em 2025) ainda mais futebolistas (26) que estavam registrados lá se transferiram para cá.
A entidade máxima do futebol tem as informações, mas não as detalha. Tento entender a razão de alguém divulgar um produto interessante e travar o aprofundamento do mesmo. Outro mistério.
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Busquei alternativamente uma explicação, e a conclusão é que Malta é um local de alto registro de jogadores por conveniência financeira. Os impostos cobrados, devido a benefícios ofertados pelo governo, são consideravelmente mais baixos que em países que são vitrines futebolísticas. É uma espécie de paraíso fiscal.
Agentes de jogadores abrem empresas em Malta e os vinculam por contrato a um clube local. Depois, ocorrem as tratativas com uma equipe de centro de maior visibilidade –como Portugal–, obtendo-se a vantagem de pagamento menor de tributos ao estabelecer essa relação internações.
O empresário, na venda ou no empréstimo, ganha; o clube (que cobra taxas para servir de intermediário, de "ponte") ganha; e o país Malta, pela quantidade (o imposto é menor, porém as transações ocorrem em fluxo elevado), ganha.
O jogador não tem vantagem, já que paga imposto sobre seus rendimentos no país em que está atuando.
Mistério, ao menos esse, deslindado: os futebolistas negociados estão vinculados a Malta, mas não jogam em Malta. Que, infere-se, é um "cartório do futebol": serve para registro, e só.
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