'Suruba' imobiliária de Vorcaro repete lógica do bunga-bunga em Trancoso
'Suruba' imobiliária de Vorcaro repete lógica do bunga-bunga em Trancoso
Uma coisa é inegável: Daniel Vorcaro é coerente. As sacanagens do escândalo do Banco Master seguem a mesma lógica, mudando apenas coadjuvantes e cenários. O que antes acontecia sob o luar de Trancoso, entre festas exclusivas e mulheres trazidas do exterior para servir como entretenimento, agora aparece nos registros de cartório, travestido de transações imobiliárias milionárias. A chamada "suruba imobiliária" de Vorcaro não é novidade, mas a continuidade de um método: trocar vantagens por influência, acesso e proteção. Sai o bunga-bunga à beira-mar, entram coberturas em bairros nobres.
Segundo a Polícia Federal, mensagens indicam que o então presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, receberia R$ 146,5 milhões em imóveis de Daniel Vorcaro, sendo que mais da metade já teria mudado de mãos. A informação é de Fábio Serapião, no UOL. Para quê? Ajuda a empurrar o podre Master para ser propriedade do BRB.
As transações envolviam imóveis em prédios de alto padrão, nomes que vendem exclusividade e status: Heritage, Arbórea, One Sixty, Casa Lafer. Mas, no contexto revelado pela investigação, esses empreendimentos deixam de ser símbolos de sucesso e passam a ser moeda para comprar favores.
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A lógica é a mesma que já teria sido aplicada em festas bunga-bunga de Vorcaro em destinos luxuosos como Trancoso: oferecer algo de alto valor simbólico, seja prazer, seja patrimônio, em troca de acesso, lealdade ou silêncio. Muda o cenário, muda a oferta, mas o mecanismo de cooptação permanece intacto.
E aqui não se trata de moralismo, as mulheres são livres para fazer o que quiserem de seus corpos. A questão é quem os aluga para oferecer como propina.
A investigação aponta que o banco de Vorcaro estaria à beira do colapso e teria buscado o BRB como saída, inflando artificialmente seu patrimônio para viabilizar o negócio. Para isso, construiu-se pontes com quem decide, neste caso, pontes feitas de coberturas milionárias registradas em cartório.
O detalhe mais perturbador não é o valor. Nem o luxo. Nem mesmo a suposta ilegalidade, mas a naturalidade com a qual o padrão se repete.
A defesa de Costa fala em "exagero". Talvez seja mesmo. Não no número, mas na nossa capacidade de achar que isso é apenas mais um caso isolado. Porque não é. É um padrão. Um sistema onde relações são construídas com base na troca de favores travestidos de negócios. É promiscuidade entre a coisa pública e a privada.
A tal "suruba imobiliária" não é sobre sexo, nem sobre imóveis. É sobre uma elite que trata o Estado como extensão de seus interesses privados — e que, quando precisa, muda apenas a embalagem da oferta.
Se antes eram corpos, agora são coberturas. Mas a lógica continua a mesma.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL
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