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O choro no Canindé e o insuportável sentimento do 'nunca seremos'

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23.02.2026

O choro no Canindé e o insuportável sentimento do 'nunca seremos'

"Desculpa por te fazer torcer pela Lusa, filho." Essa foi a única frase que eu consegui falar para ele enquanto os dois nos abraçávamos na arquibancada do Canindé. Nem tinham começado os pênaltis ainda. Foi quando saiu o empate do Corinthians, nos acréscimos. Ele não tem nem histórico como torcedor, tem só 7 anos. Mas ele já sabia que a vaca tinha ido para o brejo. Esse sentimento ele já aprendeu.

Nós nunca nos abraçamos tão forte como ontem. Na entrada em campo. No pênalti que deram para nós, um verdadeiro milagre. No gol. No gol sofrido. Na derrota. E choramos muito juntos, os dois. Copiosamente. E choro de novo agora enquanto escrevo. Eu sempre digo que o dia mais triste da minha vida foi quando a Portuguesa perdeu do Grêmio aquela final de 1996. Mas ontem foi mais triste. Superou. Porque eu não estava torcendo por mim. Eu estava torcendo por ele.

1995, no Pacaembu. 1996, no Olímpico. 1998, no Morumbi. A desgraça. O desmonte. O tapetão. A roubalheira. Vem a SAF. Esperança. Acelera a fita. 2026, no Canindé. Mesma história. Nós nunca seremos. Sempre vai ter um gol no fim. Sempre alguma coisa vai dar errado. Todo mundo ganha alguma coisa, todo mundo tem uma noite mágica. A Portuguesa, não. É insuportável o sentimento. Te arrebenta.

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