Das palavras escassas às abundantes: como terminam as relações
Das palavras escassas às abundantes: como terminam as relações
Foi um amigo quem notou, com sua sagacidade costumeira. Que em outro tempo as relações terminavam na absoluta escassez de palavras. Porque já não se falavam, nada contavam, nada discutiam, dois amantes decidiam que era preciso terminar. O homem chegava em casa depois do trabalho e anunciava em poucas frases o fim necessário, isso quando não partia sem palavra nenhuma, sob o proverbial pretexto de ir comprar cigarros. Ou era a mulher quem já tinha as malas feitas quando o homem chegava, e contra ele arremetia três ou quatro insatisfações, e então o lançava porta afora ou ela mesma tomava a estrada.
Assim terminam os personagens de Nelson Rodrigues, incisivos, agudos, por vezes cômicos, sempre trágicos. É um fim literário, narrável num diálogo que não ocupa mais que uma página, pontilhado por certezas como não quero mais, não posso mais, vou embora, que Nelson dá um jeito de tornar inesperadas e geniais. Há pouco ou nenhum espaço para a indecisão, a ambivalência, a retórica: um personagem que já não quer ali não permanecerá, o que disser que vai embora partirá de imediato.
Nosso tempo, observa o........
