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Crítica do amor puro -- ou elogio dos amores menos absolutos

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27.06.2026

Crítica do amor puro — ou elogio dos amores menos absolutos

Das belezas do amor, a literatura já soube nos oferecer infinidades de exemplos arrebatadores. Toda a cultura, aliás, parece sempre muito empenhada em tecer elogios à união entre duas pessoas, sobretudo quando pura e eterna e absoluta. Do amor se costuma esperar que seja completo, que consiga sossegar o coração dos inquietos, acalmar todos os ímpetos dos que enfim o alcançam. Pode ser um engano terrível, uma condenação bem ali onde se enxerga uma conquista, a saciedade de uns quantos desejos que mais valeriam se ainda vivos, agitados, enérgicos.

Num conto envelhecido quase um século e meio, encontro a imagem mais aflitiva que conheço sobre os males do amor. São "Os prisioneiros de Longjumeau", nascidos da pena de um tal Léon Bloy, a história de um homem e uma mulher que todos enxergavam como felizes, que "operavam, aos olhos do mundo, o milagre da ternura perpétua". Casaram-se muito jovens e viveram vinte anos numa constante lua-de-mel, sem se afastarem um do outro ou de sua terra sequer por um dia. "Eles viviam nas nuvens, jamais vendo outras pessoas, não por malícia ou desprezo, mas simplesmente por não pensar nisso". Para que vivessem outra coisa, afinal, "seria necessário que interrompessem seus êxtases".

Numa carta........

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