A maior brincadeira já concebida pela humanidade
A maior brincadeira já concebida pela humanidade
São só algumas frágeis figuras humanas se debatendo sob o céu indiferente. Seguem um punhado de regras um tanto vagas e aleatórias, no fundo entregues à própria sorte, aos incertos desígnios de seus corpos, suas vontades, seu saber. Estão cercados por toda parte de outras frágeis figuras humanas, mas padecem de uma solidão inelutável, cada um isolado em sua batalha tão pessoal. Ainda assim carregam em seus pés e suas mãos o destino de outros tantos, dos seres fantasmáticos que de longe os contemplamos, entretidos, tensos, absortos. Neles projetamos os nossos próprios sonhos, os deslumbramentos, as ilusões, e no entanto sabemos que nosso destino não está atrelado ao deles, sabemos e preferimos não levar isso em conta.
É possível, claro, observar tudo com olhos desassombrados e perceber a banalidade do jogo, e lamentar sua arbitrariedade, sua insensatez, seu tédio. O fato é que a brincadeira sempre se parece demais consigo mesma, é feita de situações que se repetem ao infinito, de atos previsíveis a maior parte do tempo, rompidos apenas aqui e ali pelo inesperado, o improvável, o impossível. É uma atitude pouco generosa do espectador ver apenas a monotonia, uma atitude pouco generosa........
