A visão gaúcha do gol ilegal de Paquetá e a discussão civilizada no país
A visão gaúcha do gol ilegal de Paquetá e a discussão civilizada no país
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Está cada vez mais difícil divergir ou brincar no Brasil.
A divergência nunca se esgota nela, sempre tem um motivo oculto, principalmente se se dá na política — ou no futebol.
A brincadeira, a ironia e o sarcasmo nunca são entendidos como tais, a ponto de eu chamar Andreas Pereira de "belgicano" e haver quem se horrorize — e corrija ainda por cima.
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Piada explicada vira drama e divergência acusada de ser só para causar merece pena.
Peguemos, por exemplo, o gol de Lucas Paquetá contra o Botafogo.
Cravei que foi irregular aqui no UOL, e só aqui, porque, felizmente, não tenho redes sociais — o paraíso dos idiotas como disse Umberto Eco.
(Atenção: NÃO estou dizendo que quem tem rede social é, necessariamente, idiota).
Mas foi tão desproporcional a reação à minha opinião, e também do comentarista de arbitragem da Globo, Paulo Cesar de Oliveira, que resolvi recorrer a três opiniões que respeito.
A primeira do companheiro Paulo Calçade, discreto, equilibrado, sensato, avesso à chamada busca de engajamento e, além do mais, dos raros jornalistas com curso de arbitragem.
A segunda e a terceira opiniões de dois ex-árbitros gaúchos, cujas visões de futebol, por serem gaúchas, são consideradas mais favoráveis a deixar o jogo fluir e a não marcar faltinhas, os também comentaristas de arbitragem Renato Marsiglia e Carlos Eugênio Simon.
Consultei-os com uma só pergunta: "Você achou legal o gol do Paquetá?".
Calçade, bem ao seu estilo, respondeu: "Pra mim foi falta, Juca!".
Simon, menos econômico, disse: "Gol irregular, teve falta do Vitão, e o VAR deveria ter recomendado revisão".
Marsiglia, não economizou: "O gol de Paquetá deveria ter sido anulado. Houve falta do Vitão no atacante do Botafogo. Mesmo que o atacante não tenha tocado na bola, o empurrão foi claro e ele pode não ter conseguido dominar a bola justamente pelo atropelo que sofreu.
Acredito que o VAR não chamou o Bruno Arleu de Araújo porque o árbitro estava bem perto da jogada.
Ou o VAR chamou (não sabemos) e o árbitro avisou pelo comunicador que tinha convicção da decisão tomada.
Só escutando a gravação para saber".
É possível que todos nós cinco estejamos errados e o árbitro tenha acertado, assim como toda a torcida do Flamengo, além do companheiro são-paulino Arnaldo Ribeiro que também não marcaria a falta, ou de outro querido companheiro, Rodrigo Mattos, rubro-negro, que discorda de mim, como disseram no Posse de Bola.
Agora, alguém achar que minha opinião foi dada "para engajar" não colabora, muito além do futebol, para a discussão civilizada no Brasil.
E isso em torno de um gol desimportante na escala de importância dos torneios nacionais.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
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