Sem atacar falhas estruturais, Desenrola 2.0 pode incentivar 'risco moral'
Sem atacar falhas estruturais, Desenrola 2.0 pode incentivar 'risco moral'
O Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas lançado nesta semana pelo governo, é bom e necessário. Mas não resolverá — além de oferecer um novo e provável alívio temporário — o problemaço do superendividamento em que caiu ampla parcela da população, concentrada nos níveis mais baixos de renda.
Essa aparente contradição não é difícil de explicar. Endividamento, inadimplência e comprometimento de renda com prestações (amortizações e juros) estão em níveis recordes neste início do segundo trimestre de 2026. Isso é obviamente ruim para as famílias e empresas, mas também, ainda que menos óbvio, para os bancos.
Limpar a área, eliminando dívidas ou as reduzindo a patamares administráveis, tem potencial para desfazer um nó nos orçamentos privados. Isso não só ajuda as famílias como também a atividade econômica, o emprego e a arrecadação.
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Há, porém, razões estruturais das quais o Desenrola 2.0 mal passa perto de soluções. O risco de que não passe de um paliativo é que acabe obrigando à edição de sucessivos "Desenrola" e amplie o "risco moral", o que poderá incentivar a tomada irresponsável de crédito.
"Risco moral" pode ser definido como o incentivo à adoção de comportamento irresponsável, com base na convicção de que a........
