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Inflação no figurino, mas com guerra, juros entram em zona de incerteza

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12.03.2026

Inflação no figurino, mas com guerra, juros entram em zona de incerteza

A inflação em fevereiro, medida pela variação do IPCA, foi de 0,7% e ficou um pouco acima da média das expectativas, de 0,65%. Ainda assim, a variação acumulada em 12 meses, uma métrica menos volátil, recuou forte: de 4,4% em janeiro para 3,8% em fevereiro.

Nas projeções do economista Fábio Romão, sócio da consultoria Logos Economia e experiente especialista em acompanhamento de preços, a inflação em 12 meses permanecerá abaixo de 4% até julho. De agosto a dezembro, voltará a ficar acima de 4%, fechando o ano em 4,2%.

As estimativas de inflação para 2026, após os resultados de fevereiro, estão girando no intervalo de 3,8% a 4,2%. Essas previsões, portanto, mantêm a alta do IPCA dentro do intervalo de tolerância do sistema de metas, cujo teto é de 4,5%.

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Peso de Transportes no IPCA é alto

Nesses cálculos, como nos de outros especialistas, os reflexos do atual choque do petróleo na inflação ainda não estão inteiramente computados. Por enquanto, as previsões para o IPCA de março estão no intervalo entre 0,3% e 0,45%.

Não são pequenos, porém, os riscos de que a alta nas cotações internacionais do petróleo afete os preços nos próximos meses. A expectativa é a de que, em breve, caso o conflito no Oriente Médio se prolongue, a Petrobras tenha de promover reajustes nos preços de venda às refinarias. Mesmo que isso não ocorra, os preços já estão em alta nas bombas dos postos de combustíveis, o que é captado pelo índice.O governo adotou medidas para tentar reduzir os efeitos de uma elevação prolongada nas cotações internacionais do petróleo, nesta quinta-feira (12). Reduziu impostos e liberou subsídios para o diesel. Para compensar os custos fiscais, anunciou um imposto na exportação de petróleo.

Apesar do viés de alta nos preços dos combustíveis e de seu peso no IPCA — o grupo Transportes responde por 20% do índice, com a gasolina sozinha responsável por 5% — e de seu impacto na inflação, os analistas estão divididos em relação à decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a taxa básica de juros na reunião da semana que vem.

Calcula-se que aumentos de 10% nas cotações do petróleo podem elevar o IPCA entre 0,25 e 0,4 ponto percentual. Em um exercício feito pela XP Investimentos, com o petróleo a US$ 100 por barril e a cotação do dólar a R$ 5,20, a inflação de 2026 avançaria de 3,8% para 5% no terceiro trimestre de 2027, o atual horizonte relevante para as decisões do Copom.

Corte de 50 pontos na Selic ainda predomina

Nas indicações dos movimentos das curvas de juros futuros, a predominância continua sendo a de um corte de 0,5 ponto na Selic, hoje em 15% nominais ao ano, no Copom de março. Mas aumentou a expectativa de redução de 0,25 ponto e até mesmo de manutenção da taxa.

A inflação de fevereiro foi puxada pela alta sazonal do grupo Educação e por itens em geral mais voláteis: passagens aéreas, seguro e conserto de automóveis, transporte por aplicativo e serviços bancários.

A alta de preços dos alimentos no domicílio, de 0,23%, foi maior do que a esperada, mas resultou em deflação de 0,11% em 12 meses. Novas deflações são esperadas até julho, com elevações de agosto a dezembro. As previsões para a inflação de alimentos no domicílio em 2026 são de alta de 3,5%, mais do dobro da registrada em 2025, mas bem abaixo dos 8,5% de 2024.

Tudo considerado, a marcha da inflação até fevereiro, antes da guerra no Oriente Médio, mantinha-se dentro do figurino esperado, reagindo à política de juros fortemente contracionista. Mas, depois de 28 de fevereiro, quando teve início o ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã, as incertezas sobre a evolução da inflação ganharam protagonismo.

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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