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Em pleno século 21, Brasil volta aos anos 50 com 'yankees go home' de Lula

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24.04.2026

Em pleno século 21, Brasil volta aos anos 50 com 'yankees go home' de Lula

A retaliação anunciada pela Polícia Federal na quarta-feira, 22, com a retirada das credenciais de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava no Brasil, foi mais que um incidente diplomático. A medida revela muito sobre a visão de mundo do presidente Lula e sua estratégia de apostar no confronto com os EUA, para tentar estancar a queda em sua popularidade e alavancar sua posição na corrida pela reeleição no pleito de outubro.

O episódio, por si mesmo, não apenas reforçou a percepção de que Lula está determinado a colocar a defesa da "soberania nacional" no centro do debate eleitoral. Reforçou também seu empenho em carimbar o clã Bolsonaro — em especial o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL ao Planalto e seu principal adversário no momento, segundo as pesquisas — como "entreguista" e "sabujo" do presidente dos EUA, Donald Trump, com quem a família se identifica politicamente e mantém relações próximas.

Para justificar a retirada das credenciais do funcionário americano, o governo Lula alegou o tal princípio da "reciprocidade". O pretexto foi a cassação do visto diplomático de Marcelo Ivo Carvalho, representante da PF nos EUA. Mas a reação brasileira pareceu mais um ato político deliberado do presidente para escalar o conflito com Trump e turbinar seu discurso "nacionalisteiro" — já que o agente de Washington não cometeu desvios no Brasil, enquanto os EUA tinham razões sólidas para penalizar o agente da PF — do que uma resposta a uma agressão estrangeira.

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Segundo o Departamento de Estado, Carvalho atuou de forma ilegal para forçar a prisão de Alexandre Ramagem, ex-deputado federal e ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) no governo Bolsonaro, pela polícia de imigração americana. Ele teria tentado contornar a demora na análise do pedido de extradição de Ramagem, que foi condenado pela participação na alegada tentativa de golpe de Estado e fugiu para os EUA antes cumprir pena no Brasil. Com o agravante de que o ex-diretor da Abin tem uma solicitação de asilo político pendente, o que lhe dá o direito de permanecer no país até que ele seja analisado pelas autoridades.

O caso de Ramagem, porém, é apenas o capítulo mais recente da aposta eleitoreira de Lula na escalada do confronto com os EUA. Há meses, ele está pavimentando o terreno para o que vem por aí, ironizando Trump, pregando a "paz no mundo" e criticando a passividade do Conselho de Segurança da ONU em relação ao presidente americano. Vinha também realizando críticas recorrentes ao aumento unilateral de tarifas promovido por Trump e às suas ações no Irã, na Venezuela, com a captura do ditador Nicolás Maduro, e contra Cuba, com o corte do fornecimento de petróleo venezuelano a preços de pai para filho.

A estratégia de Lula já vem........

© UOL