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Parque e agrofloresta: projeto propõe transformar área afundada em Maceió

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12.04.2026

Parque e agrofloresta: projeto propõe transformar área afundada em Maceió

A criação de um parque público e de uma agrofloresta estão entre os planos da prefeitura de Maceió para a área que sofreu um afundamento de solo provocado por 40 anos de mineração de salgema pela Braskem —desde 2018, 60 mil pessoas foram retiradas de 15 mil imóveis em cinco bairros afetados.

As iniciativas foram listadas no plano diretor apresentado no último sábado para substituir o que está em vigor há 21 anos, considerado defasado. A proposta prevê:

Criação de parque público de uso coletivo na área da zona de monitoramento;

Reconversão do território para a implantação de agrofloresta com funções integradas de recuperação ambiental, produção de alimentos, lazer público e valorização da paisagem natural da Laguna Mundaú;

Reserva de área para habitação da população realocada em área infraestruturada;

Implantação de espaço cultural destinado ao patrimônio imaterial, como folguedos e manifestações populares; e de ações culturais para preservação e resgate da memória do lugar.

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O projeto proíbe qualquer atividade de exploração econômica, residencial ou comercial da área. Esta era a principal preocupação da prefeitura, diz Antônio Carvalho, presidente do Iplam (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Maceió), órgão responsável pela elaboração do plano diretor.

"Existe uma lógica jurídica que é o conceito de perdimento: no momento essa área não tem valor e não pode ser usada. Mas queremos amarrar e dizer que, em uma eventual estabilização, a área tem de ser de uso público e acesso universal. É um patrimônio do povo de Maceió".Apesar de projetar o futuro, Antônio conta que a prefeitura preferiu não fazer projetos elaborados para os parques. Ele diz que a ideia é promover um debate público, para a população participar das decisões sobre a finalidade e os equipamentos do parque. "Queremos que seja um projeto a ser construído com a comunidade."

Carvalho defende que seja a responsável por bancar a iniciativa seja a Braskem, considerada dona da área no acordo judicial que definiu o pagamento de indenização a moradores, empresários e entes públicos. "Entendo que os custos para construção de parque e demais equipamentos têm de ser arcados por quem cometeu o dano ambiental."

Ainda não há previsão para estabilização da área. Os trabalhos de tamponamento das minas de salgema da Braskem devem ser finalizados apenas em 2040, mas é possível realizar obras na área antes do fim do prazo.

A coluna procurou a Braskem para comentar a proposta da prefeitura, mas a empresa disse que não gostaria de se manifestar.

A implantação da agrofloresta vai contribuir com a recuperação do solo da região, diz o arquiteto e urbanista Dilson Ferreira, professor da Ufal (Universidade Federal de Alagoas). "Além de funcionar como uma floresta, capturando carbono, melhorando o microclima, aumentando a biodiversidade e recuperando o solo, a agrofloresta também produz alimentos, como frutas, hortaliças e plantas medicinais, fortalecendo a agroecologia e a segurança alimentar", diz.

Ao transformar terrenos degradados em florestas produtivas, o modelo de infraestrutura urbana verde "reúne funções ambientais, sociais e econômicas no mesmo espaço", afirma Ferreira.

Ferreira avalia a criação do parque urbano como "extremamente importante", por reduzir o calor, absorver água da chuva e melhorar a qualidade de vida da população. "Os espaços públicos existentes na cidade são, em sua maioria, praças, que cumprem um papel importante, mas não substituem a função de grandes parques urbanos".

Como a área é classificada como monitorada, diz o professor é indispensável um sistema de informações com "dados públicos, abertos e acessíveis à população". O presidente do Iplam diz que a medida está prevista na proposta, por meio da criação de um observatório formado por instituições públicas e pela sociedade civil organizada.

Mineração foi encerrada em 2019; afundamento desacelerou no ano passado

Ao todo, 35 minas foram abertas desde os anos 1970 para a exploração de salgema, matéria-prima para a produção do PVC. A mineração só foi encerrada em 2019, após o Serviço Geológico do Brasil comprovar a relação entre a subsidência e a atuação da Braskem.

Em dezembro de 2025, o relatório semestral da Defesa Civil apontou, pela primeira vez, uma redução da área afetada e do ritmo dos afundamentos na maioria das regiões monitoradas.

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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