menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Deveríamos comprar bitcoin?

18 0
25.02.2026

Doutor em economia por Yale, foi professor da London School of Economics (2004-2010) e é professor titular da FGV EESP

Recurso exclusivo para assinantes

Deveríamos comprar bitcoin?

Eu julgo que não; as perspectivas de longo prazo não são boas, e o risco é grande

Criptomoeda perdeu metade do valor desde outubro do ano passado

dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. benefício do assinante Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Já é assinante? Faça seu login ASSINE A FOLHA

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes assine ou faça login

Recurso exclusivo para assinantes

A soma do valor de todas as ações de todas as empresas negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo é de cerca de US$ 1 trilhão.

A soma do valor de todas as bitcoins, a criptomoeda mais transacionada, é um pouco superior a US$ 1 trilhão. Isso significa que essas criptomoedas, se vendidas ao preço corrente, valeriam mais que todas as grandes empresas brasileiras somadas.

Parece muito? Considere então que bitcoins valiam o dobro no início de outubro do ano passado. Desde então, o valor dessa criptomoeda despencou.

Por que valem tanto? Por que o preço despencou desde outubro? Uma busca pela internet leva a inúmeros artigos e vídeos sobre isso, mas eles não trazem boas respostas a essas perguntas.

Bitcoin é uma moeda digital alternativa criada há pouco mais de 15 anos por uma pessoa ou grupo de pessoas que atuaram sob o pseudônimo Satoshi Nakamoto. Julgando pelas suas postagens em grupos de discussões, Nakamoto não devia morar no Japão, pois dormia no horário em que dormem norte-americanos e escrevia como um britânico.

O bitcoin passou a circular em 2010. Naqueles tempos, uma pessoa pagou 10 mil bitcoins por duas pizzas. Era o início da era das criptomoedas.

Entusiastas acreditavam que bitcoins e a tecnologia blockchain seriam amplamente utilizadas e valeriam muito; céticos achavam que bitcoins seriam pouco usadas e não teriam valor.

Hoje, 10 mil bitcoins valem US$ 600 milhões, mas não são aceitas em pizzarias, padarias ou lojas. Bitcoins valem muito, mas não servem para quase nada.

Acredita-se que bitcoins sejam utilizadas em transações ilegais. Não temos, porém, uma boa estimativa da importância de bitcoins nesses mercados.

Embora muita gente tenha bitcoins, a posse dessa criptomoeda parece muito concentrada. Estima-se que mais de 10% das bitcoins estejam em menos de cem carteiras. Esses grandes proprietários poderiam manipular esse mercado.

A pergunta que muita gente me faz é: deveríamos nós, pequenos investidores, comprar bitcoins?

Num horizonte de décadas, é difícil ver um cenário no qual bitcoins renderiam mais do que ações de empresas, que geram lucros e dividendos.

Ícone Facebook Facebook

Ícone Whatsapp Whatsapp

Ícone de messenger Messenger

Ícone Linkedin Linkedin

Ícone de envelope E-mail

Ícone de linkCadeado representando um link Copiar link Ícone fechar

Bitcoin, como qualquer bolha, precisa de juros baixos para sobreviver. Podemos ter longos períodos de juros muito baixos. Porém, qualquer aumento nos juros leva as pessoas a trocar cripto por títulos ou outros investimentos. Alguma hora, os juros vão subir.

Em prazos mais curtos, tudo pode acontecer, mas, se a perspectiva de longo prazo não é boa, precisamos de muita sorte a curto prazo para acertar os momentos de comprar e vender.

Além de as perspectivas de ganhos a longo prazo não serem boas, o risco de perdermos muito dinheiro é grande. Criptomoeda pode perder mais da metade do seu valor em poucos meses —várias vezes seguidas.

E é sempre bom lembrar que temos muito pouca informação sobre esse mercado —assim como os gurus de criptomoeda que habitam a internet.

Uma alternativa é investir em títulos públicos com pouco risco que rendem 7% ao ano além da inflação. Essa estratégia não vai enriquecer alguém da noite para o dia, mas não devemos deixar o sonho de altos retornos guiar nossas decisões de investimento.

LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. benefício do assinante Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Já é assinante? Faça seu login ASSINE A FOLHA

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes assine ou faça login

Recurso exclusivo para assinantes

Leia tudo sobre o tema e siga:

fundo de investimento

sua assinatura pode valer ainda mais

Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas (conheça aqui). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

sua assinatura vale muito

Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

Leia outros artigos desta coluna

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/bernardo-guimaraes/2026/02/deveriamos-comprar-bitcoin.shtml

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

notícias da folha no seu email

notícias da folha no seu email

Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo, Elio Gaspari, Djamila Ribeiro, Tati Bernardi, Dora Kramer, Ruy Castro, Muniz Sodré, Txai Suruí, José Simão, Thiago Amparo, Antonio Prata e muito mais.

A indicação ao BC e o paradoxo da queda dos juros

A indicação ao BC e o paradoxo da queda dos juros

Quão importante é a Selic?

Quão importante é a Selic?

Como a taxa Selic foi à estratosfera e por lá ficou

Como a taxa Selic foi à estratosfera e por lá ficou


© UOL