Quarteto de atores eleva farsa sobre afetos contemporâneos
O teatro e seus fazedores, por Andre Marcondes
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Carol Castro, Bruno Fagundes, Gustavo Mendes e Angela Rebello - Dalton Valerio / Divulgação
O despertar após um encontro casual é um recurso narrativo exaurido pela dramaturgia, mas sob a ótica de Peter Quilter — fenômeno global do teatro britânico — a "ressaca moral" transmuta-se em laboratório social. Em "A Manhã Seguinte", sob a direção precisa de Thereza Falcão e Bel Kutner, a privacidade é subvertida para dissecar a vulnerabilidade dos afetos contemporâneos através da lente da farsa.
O trunfo da montagem reside na simbiose de seu quarteto central. A peça opera na colisão de dois mundos: a vaidade hesitante de Tomás, o "macho alfa" desconstruído pela atuação meticulosa de Bruno Fagundes, e a invasão de uma família caótica, liderada pelo magnetismo de Gustavo Mendes. Com um timing que evoca a anarquia de clássicos como "Sai de Baixo", Mendes atua como o motor de ignição do absurdo.
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Nesse cenário, Angela Rebello (Bárbara) surge como a força desestabilizadora. Sua personagem despeja verdades sexuais com uma naturalidade libertária, personificando a inconveniência em estado puro. No contrafluxo do nonsense, Carol Castro (Kátia) ancora a narrativa. Sua contenção é estratégica: através de seu olhar de cansaço e incredulidade, o público encontra a bússola emocional necessária para não se perder no riso puramente gratuito.
Vale ainda destacar as impagáveis........
