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Tom Bower, Meghan e Harry: a disputa que a realeza já não controla

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24.03.2026

Tom Bower, Meghan e Harry: a disputa que a realeza já não controla

Por: Ana Claudia Paixão - via Miscelana

A publicação de Betrayal: Power, Deceit and the Fightfor the Future of the Royal Family, de Tom Bower, recolocou Meghan Markle e Príncipe Harry no centro de uma disputa que já não é apenas sobre fatos, mas sobre quem tem autoridade para contá-los.

A resposta do casal ao novo livro segue um padrão que vem sendo construído desde Revenge (2022), a primeira incursão de Bower no universo dos Sussex. Sem entrar em uma refutação detalhada, Meghan e Harry rejeitam o retrato apresentado e, sobretudo, o método do autor. A crítica não se concentra em episódios isolados, mas na ideia de que se trata de uma narrativa construída a partir de fontes interessadas, filtrada por uma leitura deliberadamente negativa.

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No caso de Revenge, a estratégia foi a mesma. O livro descrevia bastidores marcados por conflitos, ambição e ruptura progressiva com a monarquia. O casal nunca validou essas premissas e preferiu sustentar, publicamente, que a cobertura sobre eles já parte de um ambiente contaminado por interesses e distorções. Em vez de disputar ponto a ponto, optaram por deslegitimar o conjunto.

Betrayal amplia esse campo de tensão.

O livro desloca o foco do casal para uma crise mais ampla da instituição, inserindo os Sussex em um cenário de disputa interna por relevância, controle de narrativa e futuro da monarquia. Entre as principais alegações estão o aprofundamento das rupturas após a saída do casal, a dificuldade de reconciliação com Rei Charles III e Príncipe William, e a construção de uma estratégia pública própria por parte de Meghan e Harry nos Estados Unidos, vista como fator de distanciamento institucional.

Bower também retoma uma leitura recorrente em seus trabalhos, ao atribuir a Meghan um papel central nas decisões do casal, frequentemente descrita como estrategista e motor das mudanças. Trata-se de um dos pontos mais contestados por críticos, que apontam simplificação e viés na forma como responsabilidades são distribuídas.

Como em seus livros anteriores, boa parte da narrativa se apoia em fontes de bastidores e relatos indiretos, muitas vezes não verificáveis publicamente. Essa dependência de testemunhos anônimos é, ao mesmo tempo, o motor e a fragilidade de sua obra. Sustenta a dramaticidade do relato, mas também levanta dúvidas sobre precisão e equilíbrio.

É esse método que faz de Tom Bower uma figura tão polarizadora.

Ex-jornalista da BBC, ele construiu carreira com biografias não autorizadas de figuras poderosas, desde o entãoPrincipe Charles a Jeremy Corbyn. Seus livros combinam investigação, depoimentos indiretos e uma narrativa fortemente interpretativa, quase sempre crítica dos biografados. Ao longo dos anos, acumulou tanto impacto quanto controvérsia. Obras como Dangerous Hero foram acusadas de imprecisões e distorções por aliados de seus retratados, embora o autor mantenha um histórico de cautela jurídica que evita contestações judiciais mais contundentes.

Mas a reação de Meghan e Harry a Bower revela algo ainda mais interessante quando colocada em perspectiva.

O casal não responde a todos os livros da mesma maneira.

O contraste mais evidente é com Omid Scobie, autor de Finding Freedom (2020) e Endgame (2023). No primeiro, Meghan e Harry negaram colaboração formal, mas posteriormente se soube que assessores próximos forneceram informações ao autor. Ainda assim, não houve ataque público ao livro, que foi amplamente percebido como alinhado à versão do casal. Em Endgame, mesmo diante de uma crise internacional envolvendo acusações de racismo dentro da família real, a reação seguiu contida. Não houve uma condenação direta ao autor, apenas distanciamento.

Outros casos reforçam o padrão.

Quando Valentine Low publicou Courtiers, com alegações de bullying contra Meghan, houve resposta indireta por meio de porta-vozes, mas sem confronto aberto com o livro. Já obras como Battle of Brothers, de Robert Lacey, e The Palace Papers, de Tina Brown, praticamente não receberam resposta pública do casal.

A diferença não parece casual.

Ela sugere uma estratégia mais sofisticada, baseada em três critérios. O grau de alinhamento com a narrativa do casal, o tipo de ameaça que o livro representa e o risco de amplificação que uma resposta direta pode gerar. Livros percebidos como hostis são enquadrados e contestados. Aqueles que operam em zonas mais ambíguas ou favoráveis tendem a ser ignorados ou apenas distanciados.

Nesse sentido, a reação a Tom Bower não é apenas sobre o conteúdo de Betrayal. É sobre posicionamento.

Mais do que rebater acusações específicas, Meghan e Harry parecem interessados em disputar o terreno onde essas acusações circulam. Em um ecossistema midiático fragmentado, no qual documentários, entrevistas, livros e redes sociais produzem versões concorrentes dos mesmos acontecimentos, controlar a narrativa se torna tão importante quanto os próprios fatos.

É por isso que livros como os de Bower não encerram debates. Eles os intensificam.

E é também por isso que a resposta do casal raramente busca um consenso. Ela busca algo mais pragmático: definir quais histórias merecem ser enfrentadas e quais podem simplesmente ser deixadas à própria sorte.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do BOL

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