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Onde ainda há tempo para a calma

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18.03.2026

Na passada semana  referimos algumas mulheres extraordinárias.  Chego à Sertã, e descubro que a terra tem este nome devido a uma mulher, imagina. Durante um cerco romano, a capitã Celinda, ao ver o seu marido ser morto, utilizou uma sertã grande e quadrada (frigideira) para lançar azeite a ferver sobre os invasores. Esse ato heroico, segundo a lenda, batizou o local.

A Sertã é daquelas terras que parecem pequenas no mapa, mas enormes à mesa. Quem chega distraído pensa que veio ver uma vila tranquila no interior - quem sai percebe que veio, na verdade, fazer um estágio intensivo em felicidade gastronómica.

Começa tudo com a pergunta inocente: «Vamos só provar um maranho?». O problema é que o maranho não vem sozinho. Vem com história, com cheiro a hortelã, com arroz dentro do bucho de cabra e com aquela capacidade mágica de convencer qualquer pessoa de que afinal ainda cabe mais um bocadinho.

Sertã tem ruas antigas, cada esquina parece ter combinado com o tempo para ficar fotogénica. O Castelo da Sertã observa tudo lá de cima com ar de quem já viu muitas gerações a discutir a mesma coisa: qual restaurante faz o melhor maranho. Debate sério.

Passei pelo Parque Urbano da Ribeira, para ajudar a digestão, embora o verdadeiro objetivo fosse abrir espaço para a sobremesa. Há doçaria que claramente foi inventada por alguém que acreditava profundamente em dar felicidade às pessoas.

A hospitalidade dos sertaginenses faz um visitante sentir-se primo afastado de toda a gente.

Umas das coisas boas do meu trabalho é descobrir locais, como este.

A Sertã não é só um destino. É um plano alimentar com paisagem incluída.

Para refletir sobre tudo isto e descansar, fiquei no Hotel Convento da Sertã. Um magnífico espaço que alia o requinte de um antigo edifício histórico do século XVII à qualidade que só um empreendimento desta natureza pode oferecer.

Aqui há dias eu disse aos meus amigos: «Já não aguento mais chuva, vento, frio… A partir de agora, quer chova quer faça sol, vou voltar à minha vida normal!».

E não é que no dia seguinte brilhava um sol maravilhoso?! Claro que os meus amigos disseram logo:

«Devias ter dito isso há mais tempo…».

E voltei a estar na esplanada da praia desde as 9 da manhã - e todos os meus amigos também!

É bom voltar ao lugar onde costumamos estar. E saber que podemos estar o tempo que quisermos, sem temer que a chuva comece a cair - e mesmo que a chuva caia, saber que é ligeira e que podemos abrir o guarda-chuva.

As tempestades passaram, regressámos ao tempo que é normal fazer em março. Claro que os estragos e os prejuízos são incalculáveis - mas, pelo menos, sabemos que as coisas não vão piorar.

Ou como dizia uma velha canção:  «Para melhor, está bem, está bem/ Para pior já basta assim».

Embora goste muito de estar diariamente, no “meu poiso”, de vez em quando gosto de viajar pelo país.

Foi um gosto voltar à Sertã, onde já não ia há muitos anos.

Gostei imenso de ver a minha exposição na Biblioteca Municipal Padre Manuel Antunes. Como não podia deixar de ser, fui muito bem recebida por todos e adorei todas as surpresas.

Não podiam ter escolhido melhor data para realizarem a exposição. Mês em que celebro o meu aniversário, começa a primavera, assinala-se o Dia da Mulher, da Poesia e da Árvore…

Concordo com tudo o que referiste em relação à gastronomia da Sertã, e mais não digo. Efetivamente, o Hotel Convento da Sertã é lindíssimo. Espero que tenhas tido oportunidade de saber tudo sobre a história do Convento e tenhas visitado a Ponte Filipina e a animada Alameda da Carvalha.

Quando voltares à Sertã, no próximo mês, se tiver bom tempo, explora as praias fluviais da Ribeira Grande e Trízio, e desfruta desse local onde ainda há tempo para a calma.


© SOL