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A fila mais comprida já não é a do bar

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No último festival de verão a que fui, dei comigo a passar parte da tarde a olhar para as filas. Deformação profissional, admito. A do bar das cervejas ia despachando, três ou quatro pessoas de cada vez, nunca parou nem nunca cresceu muito. Noutras bancas, mesmo ao lado (noutros tempos menos requisitadas), dava a volta à tenda. Miúdos de vinte e poucos anos, com música a tocar a duzentos metros, à espera pacientemente. Na minha memória de festivais isso simplesmente não existia. Fazia-se fila para a cerveja, e acabou. Durante décadas, a contabilidade de um festival dispensou grandes cálculos. Enchia-se o recinto, abria-se o bar e o resto vinha naturalmente. A bebida era o motor financeiro de tudo, porque fazia subir o consumo médio por pessoa, segurava o público no espaço durante mais horas e dava às marcas um sítio evidente para patrocinar a festa. O cartaz atraía as pessoas, o bar pagava a conta.

Essa lógica deixou de funcionar. Não porque os jovens tenham perdido o gosto pelos festivais, que continuam a esgotar, mas porque bebem bastante........

© SOL