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Um país que mudou, um registo que ficou para trás

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Nos últimos anos, Portugal sofreu transformações demográficas profundas, com crescimento populacional cerca de 850.000 habitantes muitos deles sem organização e alguns a aproveitarem as fragilidades do controle, depois de uma década em que mais 600.000 cidadãos nascidos em Portugal foram trabalhar no estrangeiro, o que torna inevitável a existência de registos desatualizados no Serviço Nacional de Saúde quando não há mecanismos de correção sistemáticos.

Num contexto de recursos escassos, é inaceitável que permaneçam nas listas de utentes pessoas que há muitos anos emigraram e reorganizaram a sua vida fora do país, ocupando lugar que deveria estar disponível para quem aqui reside e suporta uma carga fiscal elevada.

É igualmente inaceitável que o simples facto de mudar de freguesia ou concelho se traduza na perda prática de acesso a médico de família, por falhas de articulação administrativa ou por bloqueios burocráticos.

Direitos concretos em situações de grande vulnerabilidade

O impacto desta desorganização é particularmente cruel em situações de maior fragilidade social e clínica. Um filho que decide acolher em sua casa pais idosos e doentes, para lhes garantir melhores cuidados nos últimos anos de vida, não pode ficar sem o apoio das equipas de saúde familiar da sua unidade simplesmente porque os registos não acompanham a realidade da família. Após processos penosos de divórcio, quem reconstrói a sua vida, muitas vezes com novas........

© SOL