O lixo que pode valer ouro: quando a radiação ionizante entra na economia circular
Vivemos num mundo de contradições. Nunca produzimos tantos alimentos e, ao mesmo tempo, nunca fomos tão confrontados com o desperdício, a escassez de recursos naturais e a acumulação de resíduos. Produzimos mais, consumimos mais, deitamos mais fora e continuamos a chamar “resíduo” a tudo aquilo que já não sabemos, ou não queremos, aproveitar.
Talvez esteja na altura de mudar a pergunta. Em vez de nos perguntarmos como eliminar aquilo que sobra, porque não começarmos por perguntar quanto valor ainda existe naquilo que estamos a deitar fora? É uma mudança de perspetiva simples, mas com consequências importantes. Pensemos na agricultura e na indústria agroalimentar em Portugal. O vinho, o azeite, a fruta e os produtos hortícolas são sectores fundamentais da nossa economia e da nossa identidade, e geram grandes quantidades de cascas, sementes, folhas, polpas, bagaços e outros subprodutos. Durante demasiado tempo, olhámos para eles sobretudo como um problema a eliminar. Hoje, sabemos que muitos deles contêm fibras, proteínas, lípidos, vitaminas e compostos fenólicos com propriedades que podem ter interesse alimentar, cosmético ou farmacêutico.
O que parece ser o fim de uma cadeia produtiva pode, afinal, ser o princípio de outra. É aqui que entra a economia circular: aproveitar melhor aquilo que já produzimos, prolongar o valor dos recursos e reduzir a necessidade de extrair constantemente novas matérias-primas. E é também aqui que a ciência pode fazer a........
