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Não me toques que desafino

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Poucos instrumentos musicais parecem tão próximos da magia como o teremim. O executante não lhe toca: move as mãos no ar, perto de duas antenas, e desses gestos nasce um som contínuo, flutuante, quase vocal, ora etéreo, ora inquietante. Não por acaso, ficou associado aos filmes de mistério e de ficção científica, desde A Casa Encantada (1945), de Hitchcock, a O Dia em que a Terra Parou (1951), de Robert Wise, com partituras, respetivamente, de Miklós Rózsa e de Bernard Herrmann.

Inventado pelo físico russo Lev Termen (1896-1993), que ficou conhecido como Léon Theremin, o teremim é um instrumento eletrónico que consiste numa caixa com circuitos e duas antenas: uma vertical e outra horizontal. A ausência de contacto físico é a sua característica mais singular: o executante limita-se a aproximar ou afastar as mãos das antenas, modelando o som.

A antena vertical controla a altura da nota. O respetivo circuito baseia-se em dois osciladores de radiofrequência: um mantém uma frequência fixa; a frequência do outro varia com a posição da mão. Isso acontece porque a mão altera a capacitância do circuito........

© SOL