A Semana (de 14 a 19 de fevereiro)
SÁBADO e DOMINGO, 14 e 15Conferência de Segurança de Munique
Durante anos, os europeus queixaram-se de que os Estados Unidos impediam a construção de uma defesa europeia forte. Agora, os americanos dizem que os europeus devem reforçar a sua defesa e as suas capacidades militares, e os europeus continuam a queixar-se. Esta cultura lamechas é insuportável.
A verdade é que a Administração Trump é o primeiro governo americano, desde a criação da Aliança Atlântica em 1949, que não só aceita como incentiva uma defesa europeia autónoma, defendendo simultaneamente a manutenção da NATO. Foi o que Rubio veio dizer a Munique.
Também há na Europa quem se admire que Rubio defenda valores conservadores para a Europa. Ele é conservador, faz parte de uma administração conservadora, deveria defender o quê, ideias progressistas? É óbvio que defende valores e políticas conservadoras. Foi por isso que os americanos os elegeram.
Merz esteve bem e deixou a afirmação mais marcante do fim de semana: «Está na hora dos europeus acabarem as suas férias da história». É isso mesmo. Restam duas questões ainda por responder. Uma, conseguirá a Europa regressar à história? Segunda, se o fizer, ainda vai a tempo de se salvar? Esperemos que sim em ambos os casos.
Muitos europeus também atribuem a Trump a causa das mudanças no mundo. Estão errados. A eleição de Trump foi uma consequência de mudanças no mundo e nos Estados Unidos. A administração americana está simplesmente a ajustar a política externa a um mundo que se transformou radicalmente. Os europeus precisam de fazer o mesmo. Os lamentos sobre as mudanças são absolutamente inúteis. Só atrasam as decisões que devem ser tomadas e as suas execuções. O mundo não deixará de mudar para agradar à Europa.
SEGUNDA, 16E depois das tempestades?
Daqui a uns tempos chega a Primavera e a comunicação social deixará de falar do mau tempo e das tragédias que se abateram sobre Portugal, sobretudo na zona centro. Haverá outras notícias e mais problemas. Mas o Governo não se pode comportar como a comunicação social. A recuperação das zonas afectadas deve ser uma prioridade, mesmo quando deixar de ser notícia. Não basta mudar de ministro da Administração Interna. Aliás, a recuperação dos estragos causados pelas tempestades é uma tarefa de todo o Governo e deverá ser liderada pelo PM.
As famílias e as empresas que foram atingidas serão ajudadas, aliás já começaram a receber apoios. Mas as infraestruturas deverão ser a prioridade do Governo. Nenhum governo do mundo consegue travar tempestades, mas é inaceitável que regiões do país tenham estado sem energia e sem comunicações durante semanas. O Governo deve empenhar-se na execução de um grande programa de investimentos em infraestruturas nas regiões do centro do país. Infraestruturas modernas são essenciais para um país se desenvolver e para os seus cidadãos viverem com qualidade e segurança.
TERÇA, 17A extrema-esquerda francesa e o assassinato de Quentin Deranque
Um jovem francês de um movimento conservador e nacionalista foi espancado até à morte por militantes de extrema-esquerda. Tragicamente, a violência política está a crescer em França, vinda de ambos os lados extremistas. Desconfio que já é tarde para travar essa violência, pelo menos a curto prazo. Os radicalismos e a polarização foram longe demais.
Mas aos partidos políticos exige-se que condenem a violência política das ruas. Hoje, no Parlamento francês, observou-se um minuto de silêncio pela morte de Quentin Deranque e a maioria dos deputados da França Insubmissa abandonou a sala. Os seus dirigentes foram incapazes de condenar o assassinato do jovem francês. Aliás, alguns dos militantes de extrema-esquerda do grupo que matou QD estão ligados à França Insubmissa de Melenchon. O partido de Melenchon não pode condenar a morte de QD porque criou a «narrativa» de que a extrema-esquerda francesa está a lutar contra o «fascismo». A violência resulta do discurso de Melenchon.
Há aliás uma tradição antiga nas esquerdas radicais francesas pós-Marxistas, herdada do pensamento de gangsters académicos como Michel Foucault e Pierre Bourdieu, de que o sistema capitalista está assente nas «violências simbólicas e invisíveis» (termos de Bourdieu) e a violência física é um meio de resistência legítima. Não o afirmam explicitamente, mas a maioria das esquerdas radicais, em França e em toda a Europa, acredita mesmo que se deve usar a violência contra os ‘fascistas’; e a definição de ‘fascismo’ é muito, demasiado, abrangente.
QUARTA, 18A aliança PS-UGT contra a reforma laboral
É óbvio que há uma aliança entre a UGT e o PS (e a CGTP) para acabar com a reforma laboral do governo. Não é para a melhorar, é simplesmente para a travar. É uma espécie de geringonça sindical. Ainda não se sabe se o governo vai lutar para manter o essencial da reforma laboral e aprová-la com os votos do Chega e da IL.
Para quem ainda tinha dúvidas, sobretudo entre pessoas de direita, não é possível contar com o PS para reformas laborais, fiscais, de liberalização da economia ou do funcionamento do Estado. Confesso que não consigo entender como é que há pessoas nas direitas, que desejam reformas para Portugal, e ainda acreditam nos socialistas como parceiros reformistas do governo. O PS governou com maioria absoluta entre 2022 e 2024 e não fez uma única reforma que melhorasse o país. Nem uma. Alguém acredita que os socialistas vão apoiar reformas na oposição?
Aliás, quando se discute reformas em Portugal, lembro-me sempre do que disse John Stuart Mill do seu Pai, James Mill (curiosamente, um homem de esquerda, da esquerda britânica – escocesa – pós Revolução Francesa, do virar do século XVIII para o século XIX), «o meu Pai adorava a humanidade em geral, mas detestava cada pessoa em particular». Passa-se o mesmo com as ‘reformas’ em Portugal. Todos defendem ‘reformas’ em geral, mas depois travam todas as reformas específicas, sobretudo o PS.
QUINTA, 19A Fosun quer sair de Portugal?
No ano passado, através da Fidelidade, vendeu 40% da sua participação nos Hospitais da Luz. Agora, fala-se de uma venda da própria Fidelidade, em duas fases. Primeiro, a CGD pode comprar 15% da seguradora, aumentando a sua participação para 30%. Numa segunda fase, prevista para 2027, a Fosun listaria a Fidelidade em bolsa, o que é uma forma de sair da estrutura acionista, pelo menos da sua posição maioritária. A questão seguinte é: a Fosun também quer sair do BCP, onde é o maior acionista com cerca de 20%? E, se quiser, o que fará a Sonangol com os seus cerca de 19% de ações?
