A Inteligência Artificial também é feita de betão, eletricidade e chips
Durante anos habituámo-nos a ouvir que os dados eram o novo petróleo. Talvez tenhamos olhado para o ativo errado. A Inteligência Artificial que hoje usamos através de uma simples caixa de texto parece imaterial, quase etérea. Mas por detrás desta aparente simplicidade existe uma gigantesca máquina industrial feita de semicondutores, servidores, centros de dados, redes elétricas, sistemas de refrigeração, água, solo, minerais críticos e muitos milhares de milhões de euros de investimento.
A Inteligência Artificial parece software. Mas o poder económico que a sustenta é profundamente físico.
Os números ajudam a perceber a dimensão desta transformação. Segundo a Agência Internacional de Energia, os centros de dados consumiram cerca de 415 TWh de eletricidade em 2024, aproximadamente 1,5% do consumo mundial. Em 2025, a sua procura de eletricidade aumentou 17% e a agência estima que possa duplicar até 2030. Nos centros de dados especificamente dedicados à IA, poderá mesmo triplicar.
A escala do investimento também mudou. As despesas de capital de cinco das maiores empresas tecnológicas ultrapassaram 400 mil milhões de dólares em 2025 e deverão continuar a crescer fortemente em 2026. Entretanto, começam a surgir estrangulamentos em áreas surpreendentemente materiais: chips avançados, transformadores elétricos, turbinas e ligações às redes de energia.
É este o paradoxo da nova economia digital. Quanto mais poderosa se torna a inteligência disponível no ecrã, maior é a infraestrutura física necessária para a produzir.
E esta relação poderá aprofundar-se com a evolução da IA dos........
