Berlim: entre a militarização incontornável e velhos receios
O mundo mudou, o velho continente está a fazê-lo. A Europa já entendeu que não pode contar da mesma maneira com os Estados Unidos. A Europa que há menos de um século teve o quase monopólio da definição da ordem mundial, corre o risco de ser posta à margem da definição da nova se não deixar para trás medos antigos.
Sobre a mesa há três visões do mundo: a visão de Trump, imperial ( que contrasta com a tentação pacifista europeia); a de Macron, gaullista, com os seus pólos e uma Force de Frappe (hoje essencial à segurança europeia) e a de Merz, que é pela unidade do Ocidente. E é Merz quem tem razão. Só que, para que a sua visão tenha futuro, é preciso que convença os outros dois…
À medida que a Europa enfrentou sucessivas crises nas últimas décadas – sobretudo com a agressão russa contra a Ucrânia – muitos europeus perguntaram: «Onde está a liderança de Berlim?». Inquietavam-se mais com uma Alemanha ausente do que dominante. Em 2011, durante a crise financeira, o ministro dos Negócios Estrangeiros polaco Radoslaw Sikorski declarou temer menos o poder alemão do que a sua........
