Centralismo, turismo e habitação: um círculo vicioso
Portugal discute a crise da habitação como se fosse um fenómeno isolado, quase natural, desligado do modelo de desenvolvimento que escolheu nas últimas décadas. Não é. A pressão crescente sobre a habitação, sobretudo no litoral, é o espelho de dois traços estruturais da economia portuguesa: o centralismo persistente e a especialização excessiva no turismo.
Ambos ajudam a explicar não só a crise habitacional, mas também o fraco crescimento económico, a estagnação do nível de vida e a perda de coesão territorial.
Um estudo recente da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) mostra que o centralismo e a crescente especialização no turismo têm penalizado o crescimento económico e o nível de vida, agravando ainda as assimetrias regionais. O turismo concentra investimento, emprego e rendimentos em poucas áreas – essencialmente Lisboa, Algarve e Porto – enquanto grande parte do interior fica à margem. O centralismo político e administrativo explica e reforça esse padrão, ao canalizar decisões públicas, infraestruturas e serviços para os mesmos........
