E tudo o vento levou… e Portugal nada preparou
Há mês e meio, a tempestade Kristin derrubou árvores, cortou estradas e deixou proprietários florestais em choque. O que caiu não foi só madeira. Também caiu a ideia de que Portugal tem um sistema capaz de avaliar rapidamente os prejuízos florestais. Não tem. E isto não é novo. Nas últimas duas décadas, o país foi atingido por várias tempestades severas — Gong em 2013, Leslie em 2018, Elsa em 2019, Bárbara em 2020 — e em nenhuma houve uma avaliação oficial dos danos na floresta ou protocolos de resposta. Num contexto de eventos extremos cada vez mais frequentes, esta ausência deixou de ser uma falha pontual para se tornar um risco estrutural.
O contraste com o resto da Europa é evidente. Depois da tempestade Gudrun, em 2005, a Suécia precisou de cerca de 10 dias para apresentar estimativas preliminares: área afetada, volume de madeira derrubada e zonas onde a reflorestação seria obrigatória. Em poucas semanas, o governo apresentou um plano de mobilização de recursos, armazenamento de madeira e apoio financeiro aos proprietários. A rapidez permitiu evitar perdas económicas ainda maiores e preparar a recuperação antes que as pragas agravassem o cenário. Em Portugal, com o verão a aproximar-se também o risco de incêndio torna urgente medidas musculadas de remoção de carga de combustível nas zonas mais críticas.
No norte da Europa, após as tempestades Eunice, Arwen e Franklin (2021–2022), países como Reino Unido, Dinamarca e Alemanha recorreram a modelos de risco e imagens de satélite para mapear danos. Em 3 a 7 dias, produziram mapas públicos com estimativas de árvores caídas, acessos bloqueados e prioridades de intervenção.
Na Irlanda, após a tempestade Éowyn, as autoridades divulgaram estimativas de prejuízos florestais em cerca de 5 dias. A empresa pública Coillte apresentou valores: dezenas de milhares de hectares afetados e milhões de árvores perdidas. Com esses dados,........
