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O trabalho além da “to-do list”

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16.03.2026

É, talvez, o elemento mais presente nas nossas rotinas. A primeira coisa para a qual olhamos com atenção quando chegamos ao trabalho, mas que, nos dias mais preenchidos e cansativos, nos pode acompanhar, mentalmente, até casa. Falo da to-do list, a lista de afazeres que está sempre ao nosso lado na secretária com as tarefas para as próximas horas ou dias. Quanto mais longa, maior a probabilidade de ficarmos agarrados ao computador, na ânsia de a concluir ou de, pelo menos, encurtar. Mas é precisamente aqui que reside o erro: o de pensarmos que o trabalho se resume apenas a esta lista de tarefas e que tudo o resto vai interferir na nossa produtividade. Contra mim falo: também já defendi esta ideia de que, só estando sentada a escrever ou responder a emails, é que podia ser a profissional que atinge todos os seus objetivos dentro dos tempos previstos. Mas quando comecei a trabalhar numa empresa que me dá verdadeira liberdade e confiança é que percebi que está a haver uma grande mudança, não só da parte das organizações, mas também do lado dos colaboradores.

Cada vez mais, as pessoas procuram um emprego que lhes dê autonomia e flexibilidade com responsabilidade. Algo que tenho observado, enquanto Community Manager num espaço de cowork, é que cada vez mais colaboradores, durante o horário de trabalho, vão jogar matraquilhos ou ping pong. Claramente, estas ações não estão apontadas na to-do list de ninguém. Mas estas pausas são a “cola” invisível que une todas as tarefas do dia. Sem estas pausas, a motivação e energia para dar seguimento às restantes atividades seria muito menor. Estas pequenas fugas à rotina podem, então, ser a diferença entre ser realmente produtivo e “parecer” ser produtivo. Longe vão os tempos em que para sermos eficientes tínhamos de estar constantemente a teclar. O maior desafio neste processo é aceitarmos que estes momentos também fazem parte do trabalho e da dita lista de tarefas, e que não são um extra ou uma desconcentração que não é bem-vinda.

Num espaço de cowork, em particular, é curioso analisar estas dinâmicas e o impacto que podem ter entre várias empresas. Os pequenos-almoços partilhados ou outros eventos de comunidade, por exemplo, são talvez um dos maiores catalisadores de produtividade, pois não é por estarmos a conversar e a partilhar uma refeição que não estamos a trabalhar. Pelo contrário, e da minha experiência, têm sido uma dinâmica fundamental para a criação de novas parcerias e negócios entre várias empresas, que gera retorno posteriormente. Já para não falar, claro, nas relações profissionais e pessoais que permitem aprofundar, numa era em que os colaboradores cada vez mais valorizam as pessoas que as rodeiam no local de trabalho. Nesta profissão, a observação é essencial e fazer o match entre várias empresas e fomentar estes momentos “extra” pode ser o início de muitas oportunidades para os colaboradores e para uma integração na comunidade e motivação muito superiores.

Também eu já assumi que estas pausas que “quebram” a rotina tradicional fazem parte da minha própria to-do list. É verdade que cada pessoa tem um perfil distinto, mas é fundamental que as empresas se reinventem, pois os colaboradores estão a elevar a sua fasquia e a exigir mais no que toca ao bem-estar no trabalho. Afinal, a criatividade só vem de um lugar feliz a nível profissional. Por isso, adicionemos o bem-estar e a verdadeira produtividade à nossa to-do list.

Community Manager no IDEA Spaces


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