Um terço de independência não é independência (Gripen, F-35 e Rafale)
Recentemente, Jorge Silva Carvalho, consultor nas áreas de estratégia, segurança e defesa, publicou um artigo de opinião onde, embora esteja alinhado com a minha opinião na maioria dos factos, desalinha com o consultor no desfecho. Com efeito, Silva Carvalho afirma que o F-35 apresenta uma arquitetura demasiado fechada, dados de missão geridos a partir de Washington e um custo de operação que pertence a outra categoria de país, não a um país médio, sem uma ameaça militar premente e com os constrangimentos orçamentos de Portugal. Também concordo com Silva Carvalho nos argumentos operacionais a favor do Gripen sueco: custo por hora de voo mais baixo, uma curva de aprendizagem facilitada pela semelhança com o F-16 que a FAP já usa há décadas e a possibilidade de contrapartidas industriais reais com a OGMA: SAAB precisa de nós de uma forma que a Lockheed Martin nunca precisou nem precisará jamais. Até aqui: estamos alinhados.
O desalinhamento começa quando Silva Carvalho conclui que o Gripen resolve o problema que motivou toda esta discussão: a dependência excessiva de Washington. Não resolve... É verdade que a reduz mas o Gripen E voa com um motor General Electric F414, produzido sob licença e sujeito às regras ITAR dos Estados Unidos. Cerca de um terço dos componentes do avião (o motor, sim, mas também sistemas eletrónicos) são de origem........
