Da contenção à retaliação: a Europa deve responder à guerra híbrida russa
Existem hoje sinais de uma mudança gradual de atitude nas capitais europeias que, durante anos, se limitaram a absorver a pressão híbrida russa sem responder de forma equivalente. A escalada deliberada de Moscovo está a empurrar vários governos para um ponto de rutura, levando-os a reforçar dramaticamente as suas capacidades defensivas e, segundo alguns analistas, a ponderar instrumentos não cinéticos de resposta proporcionais à dimensão do problema.
A campanha híbrida russa: números e provas:
A perceção de que a Europa está a atingir um limite de tolerância baseia-se em dados concretos. Os países bálticos — que estão na mira das ambições territoriais russas — têm alertado insistentemente para a campanha híbrida que, desde o início da guerra na Ucrânia, passou a visar diretamente os alicerces da segurança europeia.
As interferências deliberadas em sinais GPS constituem uma das frentes mais visíveis desta campanha. Em janeiro de 2025, a Polónia registou 2.732 casos de interferência, um aumento substancial face aos 1.908 de finais de 2023. A Lituânia documentou 1.185 casos no mesmo mês, mais do dobro dos registados em março de 2024. O fenómeno estende-se à Finlândia, Suécia, Alemanha e outros países da região. Em junho de 2024, 13 Estados-membros da União Europeia manifestaram alarme conjunto sobre estas ameaças que perturbam viagens aéreas e marítimas. Na Estónia, 85% dos voos foram afetados por interferência GPS.O episódio mais emblemático ocorreu em setembro de 2025, quando o avião da Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, perdeu a navegação GPS sobre a Bulgária e foi forçado a aterrar usando mapas de papel. As autoridades búlgaras suspeitaram que a interferência foi conduzida pela Rússia, embora Moscovo tenha negado qualquer envolvimento.
A sabotagem física também se intensificou. Em novembro de 2025, um ataque à linha ferroviária polaca entre Varsóvia e Lublin causou danos significativos numa linha que transportava quase 500 pessoas e era usada para enviar ajuda à Ucrânia. O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, declarou tratar-se de um ato de sabotagem sem precedentes destinado a causar uma catástrofe. As autoridades polacas identificaram Yevgeny Ivanov — um ucraniano condenado por trabalhar com a inteligência militar russa (GRU)........
