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A fábula do elevador social

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27.08.2026

Há uma mentira confortável que Portugal continua a repetir sobre a educação: a de que a escola é o grande elevador social e que, independentemente da família em que se nasce, basta estudar, esforçar-se e ter talento para subir na vida. Não é verdade e tem servido de justificação para a maior injustiça social educativa que é o acesso ao ensino superior.

Para lá da propaganda, os números mostram outra realidade. Não há elevador social escolar capaz de apagar as condições sociais e familiares de origem. A escola portuguesa continua, apesar de todo o discurso sobre igualdade de oportunidades, a reproduzir as desigualdades sociais com que os alunos entram no sistema. Vejamos os factos.

Este ano, apenas 3% dos estudantes admitidos no ensino superior pertencem ao grupo dos mais carenciados, os beneficiários do escalão A da Ação Social Escolar. Por si só, o número é impactante, mas há outra conta, talvez ainda mais esclarecedora.

Em 2024/2025, último ano para que temos dados oficiais, num universo total de 99 540 estudantes que frequentavam o último ano do ensino secundário, somando os do 12.º ano dos cursos científico-humanísticos e os do último ano dos cursos profissionais, existiam 7 565 estudantes beneficiários do máximo de apoios sociais, correspondendo a uma percentagem de 7,6%.

Como não dispomos ainda de números oficiais para o último ano, vamos considerar que o universo pouco se terá alterado e trabalhar com os dados disponíveis. Confrontando esse universo com os 1 625 estudantes carenciados admitidos no ensino superior estatal este ano, verificamos que estes correspondem a apenas cerca de 1,6% do total dos estudantes que chegaram ao fim do ensino secundário.

É importante não........

© Sapo