O mundo não está apenas em guerra, está a ficar sem alma
Há algo profundamente errado com o nosso tempo. Nunca tivemos tanto conhecimento, tanta tecnologia, tanta capacidade de ligação entre pessoas e povos. Nunca comunicámos tão depressa, nunca tivemos tanta informação ao alcance de um simples gesto. E ainda assim, nunca pareceu tão difícil sermos verdadeiramente humanos.
Voltámos a falar de guerra com uma normalidade inquietante. A palavra voltou aos discursos políticos, às análises geopolíticas, às conversas quotidianas. A guerra voltou à Europa, voltou ao Médio Oriente, voltou às manchetes.
Mas talvez a pergunta mais séria que devíamos fazer seja outra. Será que a guerra alguma vez deixou verdadeiramente o coração humano?
Se olharmos com honestidade para os últimos 20 anos, percebemos que o mundo tem vivido numa tensão constante. Começámos o século com o choque global do terrorismo. Poucos anos depois veio a crise financeira que abalou economias e destruiu a confiança de milhões de pessoas nas instituições. Mais tarde enfrentámos uma pandemia que expôs fragilidades profundas na forma como organizámos as nossas sociedades. E agora assistimos novamente a conflitos armados que reacendem medos que julgávamos pertencer ao passado.
Mas a verdade é que a história raramente começa nos campos de batalha. A história começa no coração humano.
As grandes guerras nascem quase sempre de pequenas erosões morais.........
