O Tomé saiu do Bloco
Desde o princípio que o Bloco de Esquerda foi designado como um saco de gatos. A par da agressividade gerada e inerente a cada um, comportam-se como inimigos naturais, originando, mais cedo ou mais tarde, depois das ocasionais escaramuças, a desavença final. A origem do partido parece dar razão à adjetivação: a UDP, o PSR e o Política XXI. O caos não era apenas aparente: entre hossanas à Albânia, revolucionários marxistas-leninistas e inquebrantáveis trotskistas, a coisa tinha tudo para ceder.
Foi desintegrando-se, até ao ponto em que dias atrás, o Major Tomé, ao lado de outros 60 militantes, bateu a porta com estrondo. Esta cisão não pode ser encarada ao de leve. O ex-militar Mário Tomé, figura histórica da esquerda radical nacional e outrora deputado pela União Democrática Popular (UDP), foi um dos militantes de base do Bloco. Invocando um aburguesamento do partido, vítima da Geringonça, acusa Francisco Louçã e as ex-líderes Mariana Mortágua e Catarina Martins que, seguindo a estratégia do primeiro, semearam as primícias para a derrocada definitiva: nas suas palavras, o Bloco acabou.
Não podemos entender esta desistência, parece-me, sem fazer uma breve incursão, se não à originalidade do seu pensamento, algo que não lhe assiste, pelo menos ao enquadramento mental do PREC e à astúcia intelectual saída do golpe de Abril.
Da sua afirmação em........
