Valorizar a produção nacional é uma responsabilidade coletiva
Durante muito tempo, a produção nacional foi encarada como uma questão setorial. Relevante para regiões específicas, valorizadapelo consumidor, mas raramente colocada no centro da estratégia económica do país. Este tempo terminou. Num mundo marcado pela instabilidade geopolítica, por ruturas nas cadeias de abastecimento e por guerras comerciais cada vez menos disfarçadas, a produção nacional tornou‑se um ativo estratégico — não apenas económico, mas estrutural.
Hoje, falar de produção nacional é falar de soberania alimentar, de resiliência económica e da capacidade de um país responder a choques externos sem comprometer o acesso a bens essenciais oudepender de outros mercados. Os produtos alimentares deixaram de ser simples mercadorias. Tornaram‑se instrumentos de pressão política, de negociação internacional e, em alguns casos, de conflito. Países excessivamente dependentes de importações descobriram, da forma mais dura, o custo dessa fragilidade.
Portugal não foge a esta realidade. Mantemos ainda elevados níveis de dependência externa em vários produtos alimentares essenciais, com particular destaque para as proteínas vegetais — cereais e leguminosas — e para as proteínas animais, como a carne. Ignorar esta dependência é aceitar uma........
