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Mulheres em tecnologia: onde o futuro já começou

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30.03.2026

Por Michele Penedo, Financial Director na Gstep

O mundo das Tecnologias de Informação é um universo que conheço bem. Complexo, exigente e em constante transformação. Embora a informática não seja a minha área de formação, trabalho há 25 anos em funções de Finanças e Recursos Humanos no setor, o que me permitiu testemunhar de perto a evolução da presença feminina neste domínio.

No início dos anos 2000, a realidade era muito diferente da atual. As equipas eram quase exclusivamente masculinas. Não se tratava, na maior parte dos casos, de discriminação direta; simplesmente, os cursos ligados às tecnologias tinham uma percentagem esmagadora de estudantes do sexo masculino. A oferta de mulheres formadas em TI era reduzida e, consequentemente, a contratação refletia essa escassez.

A mudança começou a ganhar forma a partir de 2007, com a implementação do Processo de Bolonha, que reorganizou o ensino superior em Portugal. Esta reestruturação, aliada a uma maior visibilidade das carreiras tecnológicas, contribuiu para uma presença crescente de estudantes do sexo feminino nas áreas de informática e engenharia.

Gradualmente, as empresas de TI começaram também a integrar mais consultoras, tornando a contratação de mulheres algo cada vez mais natural e frequente. Mais uma vez, não por uma questão de discriminação prévia, mas porque finalmente existia oferta no mercado. A entrada de novas empresas no setor reforçou esta tendência, acompanhada de um esforço, que pude acompanhar nas organizações onde trabalhei, de garantir igualdade salarial entre homens e mulheres.

Apesar dos avanços significativos, ainda há um longo caminho a percorrer para atingirmos uma presença feminina verdadeiramente equilibrada nas Tecnologias de Informação. Hoje, fala‑se mais sobre igualdade, diversidade e inclusão, mas a sua concretização depende de um esforço contínuo da sociedade, das escolas, das famílias e, claro, das empresas.

O progresso é inegável e motivador, mas não deve ser confundido com um ponto de chegada. As mulheres têm vindo a conquistar espaço no setor tecnológico, porém, ainda estamos longe de uma representação plena do seu talento e potencial num dos mercados mais influentes do futuro.


© Sapo