Governance das empresas familiares
Os modelos de governance das empresas familiares são mais complexos do que os das empresas não familiares, já que envolvem, para além dos processos de governance da empresa, os processos de governance da família e o processo de interacção entre a família e a empresa.
Grande parte dos manuais de gestão de empresas familiares concentram-se, primordialmente, nos aspectos de governance da família, esquecendo que, no final do dia, estamos a lidar com uma empresa, que está em concorrência, num mercado aberto, com outras empresas, familiares e não familiares.
Tendo este facto em consideração, o modelo de governance da empresa familiar torna-se crítico para o plano de continuidade da empresa.
E na construção deste modelo devemos ter em consideração princípios gerais de boa governance, aplicados a todas as empresas, e a sua adaptação às empresas familiares.
No âmbito do conselho de administração, que é o órgão de governance mais relevante, neste tipo de unidades, devem ser tidas em consideração, as seguintes variáveis:
Dimensão do conselho de administração, em função da dimensão da empresa e da complexidade das suas áreas de negócio.
Existência de administradores executivos e não executivos, nas empresas com uma dimensão que o justifique, devendo ser obrigatório para empresas com um volume de vendas superior a 50 milhões de euros.
A distribuição nos administradores executivos e não executivos, entre membros e não membros da família, deve seguir as melhores práticas recomendadas pelos códigos de corporate governance, no sentido de assegurar a diversidade e a dinâmica construtiva do conselho de administração.
Da minha experiência, os grupos familiares bem geridos têm uma distribuição equilibrada entre família e não família, e esse facto é crucial para o sucesso dos processos de diversificação, que ocorrem, com frequência nestes grupos.
O sucesso fora da zona de conforto da empresa e a capacidade para acelerar a curva de experiência, só é possível com este modelo de conselhos de administração.
A experiência prévia dos membros da família, que integram o conselho de administração, em empresas fora do universo familiar, constitui, em regra, uma garantia adicional de maior competência e eficiência desse órgão.
Os grupos familiares bem geridos, já adoptam estes princípios.
Facto com o qual nos devemos congratular.
