Incerteza geopolítica e liderança
Durante décadas, a liderança organizacional foi gizada para contextos relativamente estáveis, onde a incerteza surgia sob a forma de crises episódicas: um choque externo, uma quebra de mercado, uma reestruturação. Hoje, essa lógica tornou-se insuficiente. De um ponto de vista geopolítico, a instabilidade deixou de ser transitória e passou a ser estrutural. Este facto coloca desafios profundos à forma como se decide, governa e lidera. É um (inimaginável) mundo novo que se anuncia!
Liderar em crise implica actuar, rapidamente, para restaurar um estado anterior de equilíbrio. Há urgência, foco e um horizonte de resolução. Já a instabilidade crónica caracteriza-se pela ausência desse horizonte. Não existe um “regresso à normalidade”, porque a normalidade deixou de ser um ponto de referência fiável. Para os líderes, isto significa operar, continuamente, sob incerteza, com informação incompleta e consequências difíceis de antecipar.
É neste contexto que falham muitos líderes altamente competentes. A excelência técnica, a experiência acumulada e a capacidade analítica — factores tradicionalmente associados ao sucesso — revelam limites em ambientes voláteis. A dependência excessiva........
