Almada está a conta-gotas, mas a vista para Lisboa continua "fantástica"
E ao nono dia, Inês falou. Não disse grande coisa, não justificou nada e irritou-se porque a questionavam sobre uma falta de água que transporta os almadenses para uma realidade que nem em Cuba se vive. Lembrou apenas que a câmara de Almada está "desde maio a trabalhar neste problema, com toda a consciência" e sublinhou que "nenhuma zona do concelho esteve sem água mais de 24 horas". Só faltou chamar-lhes piegas e aconselhar que se limpem com toalhetes e bebam sumos enquanto as torneiras se mantêm secas.
À beira-mar plantada, Almada ergue-se sobre o maior reservatório subterrâneo de água doce de Portugal, que se estendendo por mais de 6800 km² e onde bebem os 30 furos que abastecem o concelho. Ou deviam abastecer, porque boa parte da água que chega às torneiras vem há muito de concelhos vizinhos, por especial favor e urgência decorrente da total ignorância das necessidades dos munícipes.
Almada tem água de sobra, mas ela não chega às torneiras porque ninguém quis saber se era preciso reforçar a mais básica das infraestruturas de serviço municipal apesar do crescimento populaconal. O dinheiro do PRR foi priorizado para os acessos rodoviários de quem vai ali gozar o verão. E mesmo quando, as comportas da paciência e resignação dos almadenses rebentaram, foram........
