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Teodoro no trilho dos elétricos

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19.05.2026

O Professor Teodoro Ramalho aconchegou-se no banco do elétrico, mesmo junto ao guarda-freio. Teria sido ali que Machado de Assis se sentara a espiar a conversa dos burros que puxavam o seu bonde, numa tarde de outubro de 1892? Talvez. Nessa crónica, Machado relata a inauguração dos bondes elétricos no Rio de Janeiro.

Teodoro dizia, não sem ironia, que o progresso tem o mau costume de entrar pela porta da frente com banda filarmónica, foguetes e discursos enfáticos, enquanto empurra, sem ruído, os velhos servidores para a vala dos esquecidos. A conversa imaginada por Machado entre os dois burros cansados que puxavam o bonde pelas ruas do Rio de Janeiro, justamente quando a eletricidade irrompia como promessa triunfal de um novo século, parecia-lhe exemplar. Teodoro recordava um trecho:

— O bonde elétrico apenas nos fará mudar de senhor.— De que modo?— Nós somos bens da companhia. Quando tudo andar por arames,........

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