Teodoro e os cronistas
O Professor Teodoro Ramalho está pacatamente instalado na Pastelaria Ideal, à Graça. Deu lume a mais um charuto fuzilado pela fúria vesga do mafarrico que ocupava a mesa do lado. Espana em gestos certeiros o Expresso. Antigamente, o Expresso ginasticava os sábados. O jornal era constituído por duas partes distintas: a que se lia e a que se ignorava. Hoje, descartando olimpicamente tudo o mais, o Professor Teodoro limita-se a ler as crónicas da Clara Ferreira Alves e do Pedro Mexia.
Teodoro acha que os cronistas têm uma dignidade única. Na memória afetiva do Professor moram Augusto Abelaira, Vasco Pulido Valente e David Mourão-Ferreira cronicando no extinto O Jornal. Eduardo Prado Coelho, primeiro no Expresso e depois no Público, e António Mega Ferreira. António Sousa Homem e Miguel Esteves Cardoso, no Independente e Maria do Rosário Pedreira no Diário de Notícias. Lobo Antunes foi o último dos Moicanos.
Mas talvez os cronistas mais........
