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Teodoro e os Cafés

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31.03.2026

O Professor Teodoro Ramalho está determinado. Irá começar uma peregrinação interior pelos cafés de Lisboa. Os americanos têm os diners; (aquele quadro de Edward Hopper, Nighthawks, retratando um diner numa esquina de Nova Iorque, é duma solidão plástica. A luz fluorescente interior contrastando violentamente como a escuridão exterior. As enormes janelas de vidro, um “aquário”, revelando quatro pessoas navegando lá dentro) os franceses têm o bistrô; os austríacos orgulham-se dos cafés de arquitetura imperial; os ingleses vivem nos pubs; os brasileiros têm as padarias multiusos... e os portugueses têm os cafés, versão pastelaria. 

Teodoro, por vezes, sente que tal como Borges, “nasceu noutra cidade que também se chamava Lisboa”. Borges dizia que as verdadeiras cidades são sempre as cidades da nossa infância. Por outras palavras, a cidade de hoje será infância na vida das gerações futuras. Por isso Borges afirmava que “os únicos paraísos proibidos ao homem serão os paraísos perdidos”.

O Professor recorda os livros de Marina Tavares Dias que com dedicação obstinada escreveu sobre a “Lisboa desaparecida”. Essa Lisboa será porventura a Lisboa de Teodoro. A sua pátria intemporal porque recordações........

© Sapo