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Teodoro e as primeiras impressões

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16.06.2026

O Professor Teodoro Ramalho tinha um encontro. Saiu cedo da Vila Berta para apanhar o elétrico. Queria evitar as hordas bárbaras de turistas. A bengala de madeira rosewood e castão derby dava-lhe o compasso. Tomou uma bica encostado ao balcão. Acomodou-se no amarelinho e foi apreciando a sua Lisboa. O destino era o Jardim da Estrela.

Apeou-se em frente à majestosa Basílica. Teodoro ajeitou o chapéu mirando as frondosas árvores a convidar ao passeio. Logo avistou uma elegante dama sentada muito direita junto ao lago. Tinha um livro fechado sobre o colo, as mãos pousadas uma sobre a outra e uma serenidade antiga que já ninguém cultivava.

Ao aproximar-se, ela ergueu-se com a graça que dava às suas heroínas.

Teodoro retirou o chapéu.

— Miss Austen... presumo.

— Receei que não me reconhecesse.

— Pelo contrário. Reconheci-a imediatamente.

Ela sorriu delicadamente.

— Nunca confie demasiado nas ‘primeiras impressões’, Professor.

Trocaram um breve olhar, como se as apresentações fossem um formalismo dispensável.

Jane Austen lançou um discreto olhar para a bengala.

— Receio que a caminhada lhe tenha custado algum esforço.

— Apenas aos joelhos. A alma continua perfeitamente apta a percorrer longas distâncias.

— Fico satisfeita. Sempre achei que........

© Sapo