Teodoro e as primeiras impressões
O Professor Teodoro Ramalho tinha um encontro. Saiu cedo da Vila Berta para apanhar o elétrico. Queria evitar as hordas bárbaras de turistas. A bengala de madeira rosewood e castão derby dava-lhe o compasso. Tomou uma bica encostado ao balcão. Acomodou-se no amarelinho e foi apreciando a sua Lisboa. O destino era o Jardim da Estrela.
Apeou-se em frente à majestosa Basílica. Teodoro ajeitou o chapéu mirando as frondosas árvores a convidar ao passeio. Logo avistou uma elegante dama sentada muito direita junto ao lago. Tinha um livro fechado sobre o colo, as mãos pousadas uma sobre a outra e uma serenidade antiga que já ninguém cultivava.
Ao aproximar-se, ela ergueu-se com a graça que dava às suas heroínas.
Teodoro retirou o chapéu.
— Miss Austen... presumo.
— Receei que não me reconhecesse.
— Pelo contrário. Reconheci-a imediatamente.
Ela sorriu delicadamente.
— Nunca confie demasiado nas ‘primeiras impressões’, Professor.
Trocaram um breve olhar, como se as apresentações fossem um formalismo dispensável.
Jane Austen lançou um discreto olhar para a bengala.
— Receio que a caminhada lhe tenha custado algum esforço.
— Apenas aos joelhos. A alma continua perfeitamente apta a percorrer longas distâncias.
— Fico satisfeita. Sempre achei que........
