Teodoro e a Madrasta Natureza
O Professor Teodoro Ramalho tem uma relação ambígua com a “natureza”. Recentemente, leu um artigo de Miguel Tamen sobre o desconforto da chamada “natureza” e decidiu tirar a prova dos nove.
Entenda-se, a bem da verdade dos factos, que Teodoro é um dândi. O fato saído dos alfaiates de Saville Row; o Telegraph debaixo do braço; a bengala de madeira rosewood e castão derby; o chapéu Fedora e o charuto, davam-lhe aquele ar de sabedoria tranquila.
Por isso mesmo, à primeira vista seria uma combinação improvável ver o Professor em amenas cavaqueiras com a Mãe Natureza. Todavia, um cavalheiro não se deixa arrastar em minudências. E Teodoro decidira pôr a tese à prova.
Ultimamente, Lisboa transformara-se num apeadeiro acolhedor, onde tribos ululantes apreciavam legumes frescos, pastéis de nata, o clima ponderado e os monumentos em estado de conservação mínima. Portanto, testar a “natureza” apresentava-se como uma missão impossível, digna de um Tom Cruise – caso ele decidisse aceitá-la.
Para Teodoro, “as coisas são como são” – it is what it is! E ele só conhecia um lugar para tais veleidades naturalistas: o Jardim Gulbenkian. À........
